Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

All Is Full Of Love


No clima do curso que estou fazendo aqui em Belo Horizonte, Cinema e Audiovisual, aqui vai na íntegra meu trabalho de Cinema de Animação. A regra era escolher um diretor e falar sobre ele ou sobre alguma de suas obras. Eu, obviamente, escolhi sem nem mesmo pensar All Is Full of Love da minha deusa Björk, dirigido pelo badalado e genial Chris Cunningham (conhecem Frozen da Madonna? A mente por trás desta Hécate pop e tão bem representada é ele.).Chris Cunningham é um cineasta britânico de videoclipe e video-arte. Ele nasceu em Reading, Berkshire, em 1970, e cresceu em Lakenheath, Suffolk. Além de cineasta, é músico, produtor e fotógrafo. Responsável por um dos videos mais emblemáticos de todos os tempos. Preparado? =)

Um robô é uma criatura inorgânica, ausente de sentimentos, gestos involuntários, vazio e gelado, movido por engrenagens lubrificadas com óleo, moldado a partir da matéria prima de metais, pesado, perigoso. Uma imitação do ser humano, um manequim mais forte e rígido, uma bizarrice bela da tecnologia, uma representação de atitudes humanas e, sendo assim, de um grande significado imagético, um robô é uma máquina criada apenas para determinada função, e sendo assim ele deve fazê-la repetidamente sem a interrupção do chamado "cansaço humano", sua inteligência é mecânica e limitada, nascida de cabos elétricos e chips, perfeita para acelerar a produção de mais máquinas, mais inteligências iguais, um rebanho de ferro e parafusos criando exércitos das mesmas coisas fazendo as mesmas operações criadas das mesmas funções.
Talvez seja importante, então, a ausência de sentimentos, a frieza e, de certa forma, a crueldade em ser um boneco verossímil do corpo humano. Um robô não tem músculos, artérias, ligamentos cartilaginosos, pele e sangue. Mas ele tem uma força maior, um desenvolvimento indestrutível, é mais eficaz e menos fálico, uma disposição que os limites humanos não permitem. É verdade que um robô uma hora começa a apresentar problemas, e rapidamente pode se quebrar, sua bateria acabar, seus cabos arrebentarem, mas tão velozmente quanto ele é destruído, ele é substituído por um novo, um modelo mais avançado, com mais funções, com menos probabilidades de sua data de validade se aproximar. Um robô é um reflexo de uma criatura colossal e faminta, cheia de tentáculos venenosos, barulhenta e aterradora, chamada Ego.
Seria completamente impossível então, duas criaturas com os mesmos mecanismos, o mesmo pensamento pré-determinado, a mesma forma e compartilhando da mesma consciência imitada, se amarem? Sentirem o toque de suas entranhas frias, partilhando de gestos incompreendidos, se oferecerem, se entregarem?
Chris Cunningham obviamente, não deixa claro se o tempo que vemos passar é cronológico ou psicológico, se suas duas personagens, as duas Björk's robóticas e melancólicas, podem ser a representação de uma sátira às condutas humanas, aos seus limites e valores de impor definições a sentimentos que eles próprios, os seres humanos, não entendem.
Somos convidados a entrar numa clínica para reparos de robôs defeituosos, vemos e ouvimos a robô cantar sobre o amor, declarar os sentimentos de outrem que se fechou com o medo da mais simples permissão de amar. Para quem ele canta? Alí há apenas ele e grandes parafuseiras terminando de moldá-lo, fazendo seus últimos reparos. O que aconteceu com um robô que canta sobre o amor estar alí precisando de manutenção? Algo nele não deu certo?
As cenas movem-se então como se estivessem voltando, a lubrificação, a água, retorna. A água nunca retorna, ela segue seu rumo e encontra caminhos até mesmo entre rochas e colinas, na terra e no fogo, já disseram provérbios chineses. A água é a metáfora perfeita do tempo, o tempo cronológico é claro, pois quem pode controlar o psicológico? É estranho pois passamos a entender que, em vez de estar sofrendo reparos, o robô está sendo destruído pelas máquinas de manutenção, aquelas que até então tinham a função apenas de renovar e construir. Mas o outro robô, idêntico ao primeiro, entra em cena, ele o convida, ele canta junto, e como o seu parceiro, possui seios artificiais para identificar seu sexo. Duas robôs que se comunicam, veem algo em comum, elas não estão sendo renovadas, estão sendo desconstruídas, pois muito provavelmente estão ultrapassadas ou suas datas de válidade já chegaram.
Há então uma explosão de mensagens num único gesto, a robô a convida para sair daquele lugar, e juntas impulsionam a maior forma física de amar: o beijo. Elas não veem diferenças, são iguais, e quando há o amor surgindo, quem terá o direito de julgar sexo, gênero ou cor? Elas precisam daquilo, elas estão sendo extintas, estão sendo assassinadas lentamente pelas máquinas que não permitem que robôs tenham sentimentos, se declarem, se comuniquem e, acima de tudo, sejam humanos. Estão sendo oprimidas pelos seus iguais, pois elas também são máquinas, há uma anarquia imposta pelas ditadoras mais fortes e soberanas naquela sociedade, as que constróem e destróem e, por isso, tem a consciência de que podem fazer o que lhes for conveniente. Afinal, as máquinas opressoras também tem sentimentos, porque elas não estão permitindo, elas estão sendo hipócritas e contraditórias com suas crenças de que duas robôs idênticas não podem amar.
Uma contradição, obviamente, ainda maior e mais forte presente no curta, é a ironia extrema de dois robôs amando, levando-nos às vertentes das críticas sociais sobre a frieza humana, os estereótipos, o conformismo em ser igual, em não fazer tanto quanto deveria, apenas seguir aquilo a que lhe foi designado. A fotografia final nos faz captar que as duas robôs apaixonadas estão no meio de um coração, formado pelos braços violentos das máquinas opressoras que estão destruindo-nas enquanto estas usufruem dos seus últimos momentos antes de suas células de bateria acabarem. Uma ironia ainda maior, é claro, pois aquilo que as destrói, é aquilo que forma o que elas acreditam terem: o órgão representativo do amor, o mais vital e protegido na caixa torácica, a queda livre, a pulsação mais forte, o calor mais intenso, a dor mais impiedosa: o coração.

"Você receberá amor,
Deixe-se receber os cuidados,
Você receberá amor
Permita-se confiar nisso
Talvez não das fontes
Em que derramastes
Talvez não das direções
Em que ainda observas
Mova sua cabeça
Está tudo ao seu redor
Tudo está cheio de amor
Tudo ao seu redor

Tudo está cheio de amor
Você apenas não está recebendo
Tudo está cheio de amor
Seu telefone está fora do gancho
Tudo está cheio de amor
Suas portas estão todas fechadas..."

Permita-se confiar nisso.










~







Black Cherry

terça-feira, 28 de junho de 2011

Matéria Especial: Vespertine, uma análise.

Björk está retornando com mais um (muito provavelmente) fabuloso álbum, ou projeto, chamado Biophilia. Depois de passear com instrumentos de sopro e da “terra” - como ela disse - com Volta, e explorar o máximo da voz humana com Medúlla, é a vez de um projeto sobre natureza e tecnologia em uma mistura que só Björk é capaz de fazer. Mas estou aqui para falar de um outro álbum.

Björk é daquelas artistas que serão lembradas por décadas e décadas após a fim da sua vida. Pra ser mais exato, num mundo onde o mainstream usa a palavra “artista” tão banalmente e sem profundidade alguma, Björk é sim uma artista de verdade. Ela é capaz de causar desde a mais obsessiva admiração ao mais puro asco por pessoas desacostumadas a algo assim. E só após décadas e décadas, ela será enfim compreendida e terá o posto de deusa que sempre foi. Björk é autêntica, pura em sua música e desterritorializada de tudo que já se viu em sua imagem.
Excêntrica, despida de padrões sociais, surrealista, expressionista, conceitual, vanguarda, primitiva, gloriosa, magnânima, essencial, louca. Ela é o cisne em meio a tantos milhões de corvos da música.Visionária – já disseram vários – e talvez ninguém tenha feito tanto de tantas formas diferentes como ela.
Vespertine, lançado em 2001 e com uma turnê que durou até o final de 2002, antes de Björk comemorar seus dez anos de carreira, é, para mim, o seu maior e melhor álbum já feito, e o maior e melhor álbum já feito que eu tive o prazer de escutar. Doze faixas de amor, imaginação e sentimentos nunca pronunciados, apenas guardados em um mundo onírico e cinzento.
1 – Hidden Place
Vespertine é iniciado como um ritual, a porta de entrada para o seu universo secreto, um lugar de horizonte vermelho e azul (como mostrado no vídeo). Em Hidden Place, há uma ode infindável de metáforas sobre onde e como encontrar esse universo, esse esconderijo, passeando pelo coral das mulheres da Groelândia, tal uma canção de ninar faz uma criança adormecer nas suas imaginações. Como ondas, os beats e microbeats surgem, se engrandecem, e depois desaparecem. Talvez tenham ido embora, ou nunca tenham sequer existido.
2 – Cocoon
Em Cocoon, Björk deixa claro o que era apenas um detalhe na primeira canção: o sexo. Usando metonímias, referências, comparações, e, claro, metáforas, a artista narra o sentimento de acordar com a pessoa amada ao lado, e o quanto ela se deixou hipnotizar pelo seu encanto. De manhã, talvez. De madrugada, com certeza. Ela se sente especial ao saber que não foi abandonada, então esconde toda a sua dor num casulo, no cálido desejo de transformá-la em uma borboleta de alegria exaltada e violenta.
3 – It’s Not Up To You
As coisas começam a se movimentar. A personagem, ou o cisne, ou ela mesma, acorda com vários pensamentos atormentando sua cabeça. Por que ele acredita que eu tenha tanta necessidade dele? “Eu acordo e o dia parece estar quebrado”, ela canta. Sentimentos como o estresse, o peso de um cotidiano conturbado e o começo de uma tristeza são mostrados de maneira suave na música. A harpa composta por Björk e tocada pela graciosa Zeena Parkins começa a entrar em ação. Em Vespertine, todas as músicas são cruciais (e isso não deve ser válido apenas para este álbum). “Isso não depende de você, bem, realmente nunca dependeu”, ela continua, com sua voz poderosa numa leve agonia, cantando fortemente sobre a possessão e a verdade de tal relacionamento. “Lá há muito apego ao topo, lá há muita pressão”... estaria ele sendo fútil, e ela não conseguindo mais suportar as adversidades?
4 – Undo
Os problemas pioram. O cisne percebe as suas feridas, e nada já está tão bem quanto foi antes. Culpa, transparência, a dor que deveria se transformar numa borboleta rasga o seu casulo antes do tempo e dissemina escuridão. “E se sangrares, desfaça-se, e se chorares, desfaça-se”. Ela pede para ele partir? Para ele ser forte? Se aquilo for a melhor decisão, ele irá mesmo? E ele? Quais decisões ele poderia tomar? Não deixando de lado que toda música de Björk é um livro extenso de vários significados, talvez ela nem esteja falando de um relacionamento, ou dos problemas que o envolvem. Björk é a rainha da subjetividade, cabe aos ouvintes compreenderem da forma que lhes convém.
5 – Pagan Poetry
Paganismo: a crença em deuses que cometem tantos erros quanto os seres humanos; sacrifícios de sangue, rituais, a beleza da alma, a libertação sexual, o primitivismo, o contato mais puro com a natureza, o que a forma. E a poesia, não tão diferente do paganismo, tem a capacidade de transformar um único olhar num verdadeiro trovão furioso e destruidor. Pagan Poetry é o amor masoquista, o amor submisso, o amor inglorioso, o amor desesperado, o amor frio, o amor fervente, o amor rasgado, necessitado, cruel, infindável, decadente, submerso, altivo, polipolar, agressivo, frágil, palpável, onírico e inigualável. Uma canção gélida e ao mesmo tempo ardente, Björk explicita a dor na sua voz, no vídeo em que um vestido de pérolas (obra prima de Alexander McQueen) penetra na sua pele e as imagens são transformadas em figuras abstratas, aguçando o subconsciente do telespectador, fazendo-o perceber que a dor, o amor, o sexo, a paixão e os sonhos têm mais coisas em comum do que se pode imaginar. Pagan Poetry é, se não o maior, mas um dos maiores ápices de Vespertine. Uma ventania de arte que destrói o coração de qualquer um que ouça. Björk, sempre se superando.
6 – Frosti
Orvalho congelado, geada, neve. O que se imagina com um instrumental feito apenas com uma caixa de música? Se Björk já teve o seu momento de se apresentar com Hidden Place, a sua hora de acordar pela madrugada em Cocoon, voltar ao cotidiano com It’s Not Up To You, tentar resolver uma gama de problemas com Undo, e gritar o seu amor para o mundo com Pagan Poetry, o que se espera mais de um álbum desses? Ele poderia acabar aqui mesmo, com Pagan Poetry, e com certeza transportaria muita coisa. Mas Vespertine entra numa “segunda parte” com Frosti. A hora em que ela corre para fora de sua casa e sente a neve nos pés descalços, o frio cortante a açoitar-lhe a pele feminina e os cabelos lustrosos. O momento em que ela foge completamente do mundo real e sonha com um vale de montanhas, num horizonte cinza e morno, e lá, apenas lá, ela pudesse finalmente se sentir aliviada, ao descobrir o maior presente que a natureza poderia lhe dar.
7 – Aurora
A alvorada, a tela do céu pintada com tinta aquarela rósea, azul clara, branca, laranja e suavemente púrpura. O suspiro dos poetas que tanto a usam como musa inspiradora, como a vista mais bela para se esquecer de tudo, até de si mesmo. O coral, presente desde Hidden Place continua sua jornada ao lado da voz única de Björk, a harpa está mais forte, os microbeats se dispersam e depois retornam, como uma nevasca. Aurora, escrita tão bem para ser analisada em dois contextos, uma para narrar a sua caminhada durante o amanhecer, sua homenagem a Aurora, e a outra, com conotações mais sexuais. “O caminho derrete, eu desejaria derreter dentro de você”, ela confessa. O cheiro dos orvalhos, o zumbido dos insetos, a infância. Björk disse numa entrevista que Aurora narra um pequeno acontecimento de quando ela era criança, enquanto corria pelas montanhas da Islândia no inverno, ela caiu e bateu os joelhos, então pôs neve na boca para diminuir a dor. Ora... Quem conseguiria colocar tantos significados bonitos em quatro minutos e trinta e nove segundos de música?
8 – An Echo, A Stain
Palavras interrompidas, sonhos misteriosos e evanescentes, um único e poderoso erro. Inspirada na peça de Sarah Kane, “Crave”, An Echo, A Stain é o sussurro misterioso de Vespertine. Uma canção soturna, como se fosse o ponto mais sutil e capcioso do álbum, efêmera como a borboleta que se transformou em escuridão, Björk canta em pouquíssimas palavras um ato, uma reação, uma falta de reação, uma ânsia, um medo, e uma queda livre. No mundo dos sonhos ou no mundo real, qual é o mundo mais forte em Vespertine?
9 – Sun In My Mouth
“Eu pegarei sol com a minha boca, e saltarei viva no maduro ar”. Um poema belíssimo de E. E. Cummings cantado com toda a sensibilidade de Björk. Caixas de músicas, violinos em lágrimas sucintas, lalalás. Sun In My Mouth é o momento mais harmonioso de Vespertine, carregado de melancolia, uma dose doce de sexo e um mundo cintilante do coração. Björk se vai num campo de trigo dourado do sol, sem cinza, e nada mais.
10 – Heirloom
Um lugar especial, que leva a sentimentos especiais, que leva a lembranças especiais. Heirloom pode facilmente ser compreendida como um sonho, ou um pesadelo, ou nada. Os beats estão mais agitados, há um sentimento novo nesse lugar especial, nesse esconderijo. Mas Björk não pára por aqui.
11 – Harm Of Will
Harm of Will é quase como um prelúdio. Um pequeno réquiem disfarçado, uma máscara em Vespertine. Nesta canção, se constroem imagens distantes, pedidos desesperados, desejos amordaçados. Os violinos e violoncelos moldam uma estrada longa num crepúsculo de vozes adocicadas e frágeis, tão frágeis que, se músicas fossem palpáveis, elas poderiam se despedaçar ao primeiro toque.
12 – Unison
E a grande obra se fecha com chave de diamantes. As mulheres do Inuit Choir arrepiam, a harpa está mais forte, mais presente, num duelo incansável com os outros instrumentos, e os microbeats. Björk inicia a música apenas com sua voz, num tom calmo, gentil, harmônico, quase inalcançável, com uma frase simples mas de significado profundo, em Unison, sim. Unison, toda a representação de Vespertine e seus objetivos se encontram numa orquestra perfeita que canta o amor e o define da melhor forma: uníssono. Há palavra mais bela para isso? Talvez sim. Mas Unison é o cisne confessando seus problemas, e mesmo assim abdicando de muita coisa para que o seu maior sentimento continue intacto. O cisne abre as suas asas enquanto a neve cai, canta para a aurora que ali o acompanha, espera o crepúsculo se iniciar e com ele a noite estender o seu manto escuro e brilhante sobre o céu. Há tantas dimensões em Vespertine, mais cores que o cinza que o representa, há tantos sentimentos que é até uma ofensa falar que é um álbum que só narra sobre o amor e o sexo. E a harpa, representando o canto final do cisne, nos últimos quarenta segundos da música, dando adeus ao mundo onírico e aconchegante e voltando ao mundo real, pesado e cruel. É como dar adeus a um melhor amigo, é como fechar os olhos e acordar de volta ao frio que não é mais acalentador. Nada de montanhas incrustadas de auroras caleidoscópicas, nada de trilhas entupidas de neve, nada de odes ao amor e ao calor frenético do sexo. São coisas tão preciosas, tão perfeitas em suas próprias essências, que apenas uma música como essa, escondida num mundo secreto, é capaz de expressar.







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Andrew Oliveira & Black Cherry

domingo, 5 de dezembro de 2010

As filhas de Björk


Bem, aqui estou eu novamente, esperando mais oito dias para enfim viajar e esquecer um pouco os acontecimentos dessa cidade. Viram (oi?) que coloquei várias letras de músicas ontem? Pois é, ultimamente essas várias músicas andam me resumindo bastante, e vou colocar mais e mais neste blog, talvez até todos os dias que dezembro me der. Aliás, esse dezembro está bastante amassado, papel frágil é assim mesmo. Mas talvez eu possa esquecê-lo e pegar um outro dezembro, de um papel mais grosso, mais consistente.

Acho que meu humor está um pouquinho melhor do que há uns dois dias atrás, mas ainda estou magoado por ter tomado medidas drásticas em relação a minha amiga, ex-amiga, nem sei mais o que ela é pra mim, mas enfim, se ela não entendeu, não posso fazer mais nada.

Ah, vocês não fazem ideia da vontade que eu estou consumindo pra ir viajar o quanto antes. No momento em que colocar meus pés no avião nem vou mais lembrar que nasci, cresci e vegetei em Macapá. O mais estranho disso tudo, é que um alien como eu, que tinha tanto lugar nesse mundo pra cair, caiu logo aqui. Por que meu Senhor? Por quê? Bem, não posso me lamentar, gosto de Macapá pelos meus amigos e parcialmente pela minha família. Mas também odeio o calor dos infernos daqui, tudo bem que eu gosto do sol e do dia, mas assim já é exagero...

Bom, o que quero mostrar pra vocês são algumas artistas que estou escutando bastante, e elas são simplesmente maravilhosas, aconselho vocês a escutarem com atenção. Filhas de Björk merecem MUITA atenção. Então aqui vai uma linda e vivaz matéria especial de natal pra vocês (= .

Goldfrapp
Pra quem acha que vai ouvir só mais um grupo com batidinhas eletrônicas, está hediondamente enganado. A voz inconfundível de Alison Goldfrapp e o sintetizador mágico de Will Gregory mostram que vieram pra marcar, e marcaram. Em Goldfrapp há desde influências de cabaré até o pop mais chiclete, claro, esse é um chiclete muito mais gostoso, e seu sabor dura mais. Você pode querer sentir-se insuportavelmente cheio de sex appeal com o inteligente Felt Mountain ou o devasso Black Cherry, sentir-se elétrico e trabalhado no glamour com Supernature, sentir-se bem consigo mesmo numa paz interior e um paganismo suave com Seventh Tree, ou simplesmente retrô, dançante e alegre com a música descompromissada de Head First. As facetas são várias, em Goldfrapp você pode ser o que quiser, baby. E isso com certeza ela aprendeu com a Deusa Björk.
Link para Black Cherry: http://www.4shared.com/file/sj5GMy0g/Goldfrapp_-_black_cherry.htm


Fever Ray

Vale ressaltar que a voz de Karin Dreijer não é pra qualquer um, e não, não estou sendo nada preconceituoso pra quem está acostumado às vozes normais. Karin é brilhante tanto na sua banda homônima The Knife quanto no seu alter-ego Fever Ray. Mas Fever Ray tem algo a mais que The Knife não tem, Fever Ray é muito mais intimista, soturno, e magnífico do que the knife, isso eu garanto. Beats perfeitamente trabalhados costurando obras primas em forma de músicas, notas e pautas musicais que voam, gritam, sussurram, brincam com seus ouvidos e depois se escondem nas portas de sua mente. Fever Ray é a magia em forma de som. E a influência por Björk é clara, tanto no quesito vestuário quanto artístico.


Bat For Lashes

De aparência exótica, um estilo místico e atemporal, uma voz arrebatadora, composições cheias do mais doce ápice poético, Natasha Khan, ou Bat For Lashes, é um prato cheio pra quem gosta de uma boa e bem feita música alternativa. Bat For Lashes pode ser desde a mais suave e melancólica artista com seu Fur & Gold, até a mais explosiva e ininterrupta cantora com Two Suns. Você pode escutá-la com Siren Song em algum episódio de Vampire Diaries, ter lido algo sobre ela em alguma revista indie, ser comparada à Björk no quesito música de qualidade, ou simplesmente pesquisar e baixar seus dois álbuns de estúdio, suas duas facetas misteriosas até agora.

Iamamiwhoami

Ok, apesar de ser ainda um projeto em que nada por enquanto foi revelado, não se pode deixar passar a singela Jonna Lee e sua banda musical oculta. Iamamiwhoami é uma massagem cruelmente êxtasiante com suas músicas nomeadas apenas com letras e números criptografados, e seus videos virais repletos da mais belíssima fotografia. Se Björk não influênciou esse projeto (ou banda [?]), ela com certeza tem dedo enfiado aí. Iamamiwhoami é um momento de paz e serenidade, e ao mesmo tempo um sentimento de agonia, dor e sensações esquecidas em alguma floresta de mandrágoras qualquer...

Link para o video viral "Y":http://www.4shared.com/video/ITj6gTBm/iamamiwhoami_-_y.htm

Marina + The Diamonds

Saiam da frente se não quiserem levar uma nocaute da rebelde Marina Diamandis, porque ela chegou pra fazer todo mundo gritar. Gritar de alegria, de tristeza, de entusiasmo, ansiedade. Marina + The Diamonds é uma verdadeira implosão de sentimentos, uma guerra nuclear de músicas dançantes e calorosas, outras com ataques histéricos de sensações borbulhantes, e outras simplesmente feitas para um dia de chuva. Marina é uma moça cheia de atitude, estilo, dona de uma voz potente e um futuro promissor, e é melhor saírem mesmo da frente dela, e entrar na sua balada neo-indie. O que ela tem haver com a Björk? Seus momentos repentinos de uma voz ora arrastada ora exagerada ora absurdamente forte. Kate Bush também ajudou nessa cria, com certeza ajudou.
Link para The Family Jewels: http://www.multiupload.com/OVHBDT6OIX


Florence + The Machine

Tá, eu já falei muito dela por aqui, mas eu tenho que colocar nesta pequena lista de filhas de Björk, porque as influências são claras. Considerada a nova Björk pela The Sunday Telegraph, comparada com PJ Harvey, o resultado hipotético de um dueto com Kate Bush e Björk, Florence Welch e sua The Machine arrebentam qualquer outra banda indie com sua criatividade e suas composições que estão num patamar muito maior do que qualquer um atualmente, o Florence + The Machine é o futuro da música tanto indie quanto pop, sendo que esta já até se apresentou no VMA desse ano, e ganhou o prêmio de melhor direção de Arte pelo video de Dog Days Are Over. Florence + The Machine é tudo e mais um pouco, não percam sob nenhum pretexto, a ruiva tem A Voz!

Link para Lungs: http://www.4shared.com/file/Zxgcy7jY/Florence_And_The_Machine_-_Lun.htm


Kate Bush

E por último mas não menos importante, eis a outra deusa, Kate Bush. E não, ela não é uma das filhas de Björk, ela é uma das MÃES de Björk, surgindo com seu fabuloso The Kick Inside por volta de 1978. Além de ser mãe de Björk, tem uma quantidade imensa de filhas, tais como PJ Harvey, Tori Amos, e atualmente Marina Diamandis, Florence Welch, e muitas outras. Kate Bush permanece influenciando gerações por ser uma mulher que transformou o sofrimento da sua vida em algo bom, pois é isso que artistas fazem, como diz meu amigo Louie, artistas de verdade são ostras, que absorvem tudo o que não é bom e transformam em uma linda pérola. Kate Bush é performática em seus clipes, cheios de expressão assim como sua música, mesmo que no início de sua carreira, várias gravadoras não a aceitaram por ser esquisita demais, mas ela venceu, sim, ela venceu, e está até hoje, nos seus cinquenta e poucos anos ainda conquistando muita gente por onde quer que passe. Mais de trinta anos de carreira, e um milhão de sentimentos, bons e ruins, aflorando em suas músicas e sendo sugadas por nossos ouvidos, como um beija-flor sugando o mais doce néctar de uma angiosperma, Hounds of Love que o diga...

Link para Hounds Of Love: http://www.mediafire.com/?9257acdhrywsn8c#1

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Gostaram? Espero que sim, em breve posto mais coisas sobre filhos, netos, entre outras crias dessas cantoras espetaculares pra vocês :)

Black Cherry

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

FLORENCE + THE MACHINE - Meu orgulho u.u


Agora, quebrando o clima mórbido de Hidden Place no meu blog, eu estou até agora emocionado, gritando e pulando loucamente aqui. E não, não estou feliz pela Lady Gaga finalmente ter parado de imitar os outros, mas por causa da Florence Welch, da Florence + The Machine, que se apresentou ontem no VMA. Eu realmente nunca parei pra assistir um VMA inteiro (e ainda bem que ela se apresentou lá pelas primeiras premiações...), mas eu fiz questão de esperar assim que soube que uma das maiores e melhores cantoras debut da atualidade iria se apresentar.

Ela sussurrou, ela gritou, ela pulou, ela dançou, ela chorou, e tudo em meio ao figurino estilo super-produção igualzinho ao clipe. Florence se libertou e libertou todo mundo dos padrões sociais cantando Dog Days Are Over no VMA desse ano, e muito mais do que isso, ela gritou para o mundo o seu nome e sua capacidade, tanto vocal quanto artística. Foi poético, foi suave, e ao mesmo tempo forte e ousado.

É assim que Florence é, e é assim que ela está conquistando o mundo, não por ser qualquer uma, mas por criar músicas tão belas num mundo cheio de um mecanismo superficial onde qualquer um acha que pode fazer música (vide as outras apresentações nesse VMA....).

Florence, além de fazer arte com suas letras e com sua voz, é melhor em tudo. Eu a conheci ano passado com Kiss with a fist, mas foi no início desse ano quando um amigo (É, foi o Antonio >.>) me apresentou suas outras músicas. E logo eu me apaixonei, e logo importei o CD Lungs pra mim. E logo estou aqui, emocionado, me sentindo super orgulhoso dessa artista de corpo e alma, fodam-se o que pensem sobre o que estou sentindo agora.

Mas é muito mais do que felicidade, eu sei que a Florence irá emocionar o mundo inteiro, eu sinto.

The dog days are over


E isso é apenas o começo.







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Andrew Oliveira, com todo o prazer :)

domingo, 15 de agosto de 2010

Série Música 1: Os que mais me marcaram

Música, um termo muito generalizado, gera conceitos, opiniões, inovações, polêmicas, arte, moda, estética, singularidades.
Música, usada para desestresse, estilo, gênero, filme, fotografia, poesia, como válvula de escape, ou simplesmente para agradar os ouvidos.
Aqui, vou mostrar os principais artistas, os que mais me inspiram, os que mais me salvam com suas músicas, os que mais de certa forma me ajudam, eu realmente preciso de música pra tudo, música é como oxigênio pra mim, ou uma alma fora do meu corpo, aqui estão os que fizeram e ainda fazem parte da trágica, suave, pesada, algum dia brilhante e cômica trilha sonora da minha vida:





Björk
Se alguém procura uma artista #EXTREMAMENTE# completa, midiáticamente única, estéticamente a mais estranha possível, da voz mais sublime, da beleza mais desconcertante, dos gestos mais descontraídos, da personalidade mais forte, da consciência e da opinião mais profunda, da mente mais inquieta, das músicas que constroem um universo de sentimentos e de observações sobre nós mesmos, Björk é a pessoa (ou alien) certa.
Björk é muito mais do que se espera, Björk é inusitada, surpreendente, uma máquina de fazer músicas incansável. Björk canta os amores, sejam eles bons ou ruins, os nossos cotidianos, os nossos demônios internos, Björk grita sobre a solidão e a introversão como ninguém, um ressoar para todas as pessoas, a vida e a morte, a amizade, a felicidade, a tristeza, e muito, muito sobre a nossa sociedade, e como nós estamos destruindo o que construímos durante séculos, uma maneira de viver melhor, talvez.

Ouçam, sintam, respirem, e tentem, tentem enxergar o mundo da mesma maneira depois de ouvir a deusa da música, Björk. Vocês jamais conseguirão.
Álbum que eu indico: Vespertine,
segue o link:
http://www.4shared.com/file/5bGMk7YU/Bjrk_-_Vespertine.htm





Radiohead
Se hoje eu tenho estômago pra encarar os acontecimentos mais baixo-astral que acontecem comigo, é por causa de Radiohead. Não há muito o que falar dessa banda, mas há muito o que escutar, Radiohead criou uma espécia de Rock Art, músicas não inovadas, porém inovadoras, e com sentimentos tão intensos que sentimos na pele a tristeza de nós mesmos, dos problemas do nosso mundo, e de tudo que tenta nos botar pra baixo, Radiohead é a bizarrice humana mostrada de forma bela, poética, profunda, e nada mais, Radiohead é uma massa, uma massa fluorescente numa completa escuridão, que está prestes a se dissipar.

Álbum que eu indico: Amnesiac
Segue o link: http://www.4shared.com/file/dVuc9rME/Radiohead_-_Amnesiac.htm





Emilie Simon
Quem assistiu A Marcha dos pinguins, e se encantou com as músicas que passavam durante o filme, conhece a fofa francesinha Emilie Simon, conheci ela em 2009, e desde o começo meu amor por ela só aumentava. Emilie Simon e sua voz adocicada conseguem cantar com todo o seu coração, uma pulsação tão forte que sua alma inteira dilata de você, seus olhos embaçam, um doce aroma de amor e raiva, gosto de veneno da madrugada, uma língua francesa deliciando-se ao cantar suas próprias composições, oscilando entre o prazer e a dor, Emilie Simon, a nova voz da França, "filha" de Kate Bush, "parente" distante de Björk.

Álbum que eu indico: The Big Machine
Segue o Link: http://www.4shared.com/file/_awi8fNB/Emilie_Simon_-__2009__The_Big_.htm






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Em breve continuo sobre os demais artistas.


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Andrew Oliveira (:

sexta-feira, 9 de julho de 2010

IaMamIWhoAmI


Você não está mais aqui, você está com olhos diferentes dos olhos acostumados com a nossa sociedade padronizada, você quer ver, você pode ver, você tem que ver, você luta pela sua liberdade, ela é o seu trófeu.

Você se transforma, se deforma, ao longo de canções com vocais tão adocicados, e ao mesmo tempo tão bucólicos, nostálgicos, inatingíveis, é como uma massagem nos tímpanos.

Eles avisam a você, mas você não escuta, eles o querem das suas formas, mas você quer ser apenas você mesmo.

Você quer música, você quer imagem, você quer arte.

Você deseja desvendar números, simbolos, tinta, folhas e tudo o mais, o mais é sempre o mais prazeroso, e o infinito, o mais interessante.

Mistérios rondam esses videos virais postados no youtube, são excêntricos, conceituais, inovadores, podem causar tanto admiração quanto repulsa. Jonna Lee interpreta a mandrágora já transformada em humana nesse último video(mas ainda há cérebros ainda não identificados por trás destes videos sublimes), com ar de superioridade, assistam a todos os videos anteriores, e tirem suas próprias conclusões.

Uma Arte digna está sendo finalmente mostrada!
Fica a dica ;)







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Andrew Oliveira :)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Artista da alma: Emilie Simon



Olá pessoal, desculpem a demora de Vespertine, mas hoje o cantinho da vez vai ser para a dócil Emilie Simon./

Emilie Simon é uma autêntica cantora francesa que passou a ser mais conhecida no mundo da música em 2003, com seu primeiro álbum, intitulado com seu próprio nome, não poderia ser outro, pois desde aí ela já mostrou ser uma explosão de sentimentos amorosos, surreais, juntando com um sopro frio e infantil de sua voz.
Logo após, chegou Végetal, um mitológico álbum onde já se apresenta Alicia, uma planta carnívora ou até mesmo Medusa, a deusa que foi transformada em um monstro pelos ciúmes de Atenas perante a Zeus.
Também compôs a trilha sonora de A Marcha dos pinguins, onde se encontra a nostálgica e desprotegida The Frozen World, seria o nosso mundo tão gelado ao ponto de nós nos mecanizarmos com a artificialidade e não percebermos isso?

E, então, chega The Big Machine, a grande máquina que impõe o processo de robotização do ser humano, as pessoas tele-guiadas, a alienação moderna, etc. Neste, Emilie muda totalmente a maneira de cantar, o andamento da músicas e maneira que estas são feitas, se antes a moça usava cordas, passou a usar instrumentos de sopro que realmente são marcantes como no início da fuga da personagem desejando sair da grande máquina em Rainbow, a abertura do álbum.

Ouçam, vocês vão gostar ;)