Solitude, darkness and love
"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Can't let you go
Vou burlar todas as regras
E uma hora você irá voltar
De todas as formas
Te farei voltar
Como a mais longa e mais fina
torrente de agonia
Desmarca
Me marca de novo
Me persegue
Ele cai e quebra
E eu me invento
Feito de vidro, feito de vento
O que posso fazer a não ser caminhar
Não de verdade, mas há
Ao teu lado
Me sufoca, mesmo que eu possa gritar
Me recuso a ter voz, me recuso a enxergar
O que vai acontecer de novo?
Brincar de amor, brincar de solidão?
Solidão se faz de verdade, nunca brincadeira
Onde estiveste então?
O ponto, o meio, o recomeço
Em fim, em desamparo
Quero apenas que isso
Não aconteça de novo
Cada toque, cada pretensão,
Cada pequeno, mínimo, ínfimo, inferior
Desejo
Não era para ser assim
Não era para ser desse jeito
Veja a noite que te avermelha
Veja o dia em que acordas assustado e
por que assim
volta a dormir
Sem despertador, com medo,
Infeliz, tu não soubeste?
Falei de novo
Dessa vez eu quis falar
Fale, fale, espere
A hora que nunca vai chegar
Mas não se desespere
Vá embora como a hora, vá embora como agora
Vá embora pra não demorar, pra não se lembrar
Que isso só te destruiu.
~
Verano
As Bruxas vão voltar

~
Black Cherry
Arte: Nicole Absher
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Lies

Você nunca vai me amar, então qual é a novidade?
Qual é o ponto de um jogo que você vai perder?
Qual é o ponto de dizer que me ama como um amigo?
Qual é o ponto de dizer que isso nunca vai acabar?
Você se orgulha em dizer que cometeu um erro
Você é um covarde até o fim
Eu não quero admitir, mas nós não vamos nos encaixar
Não, eu não sou do seu tipo
Por que não podemos apenas fingir?
Mentiras, não quero saber, não quero saber
E eu não posso deixar você ir
Eu só quero que seja perfeito
Para acreditar que tudo tenha valido a luta
Mentiras, não quero saber...
Você sempre só me toca no escuro
Apenas quando está bebendo você consegue ver a minha centelha
E somente no final que você dá um pouco de si mesmo para mim
Porque a noite é sua mulher, e ela vai te libertar
Você se orgulha em dizer que cometeu um erro
Você é um covarde até o fim
Eu não quero admitir, mas nós não vamos nos encaixar
Não, eu não sou do tipo que você gosta
Por que não podemos apenas fingir?
Mentiras, não quero saber, não quero saber
Eu não posso deixar você ir, não posso deixar você ir
Eu só quero que seja perfeito
Para acreditar que tudo tenha valido a luta...
~
Marina Lambridinis [ Marina + The Diamonds ]
quarta-feira, 11 de abril de 2012
All Is Full Of Love

No clima do curso que estou fazendo aqui em Belo Horizonte, Cinema e Audiovisual, aqui vai na íntegra meu trabalho de Cinema de Animação. A regra era escolher um diretor e falar sobre ele ou sobre alguma de suas obras. Eu, obviamente, escolhi sem nem mesmo pensar All Is Full of Love da minha deusa Björk, dirigido pelo badalado e genial Chris Cunningham (conhecem Frozen da Madonna? A mente por trás desta Hécate pop e tão bem representada é ele.).Chris Cunningham é um cineasta britânico de videoclipe e video-arte. Ele nasceu em Reading, Berkshire, em 1970, e cresceu em Lakenheath, Suffolk. Além de cineasta, é músico, produtor e fotógrafo. Responsável por um dos videos mais emblemáticos de todos os tempos. Preparado? =)
Um robô é uma criatura inorgânica, ausente de sentimentos, gestos involuntários, vazio e gelado, movido por engrenagens lubrificadas com óleo, moldado a partir da matéria prima de metais, pesado, perigoso. Uma imitação do ser humano, um manequim mais forte e rígido, uma bizarrice bela da tecnologia, uma representação de atitudes humanas e, sendo assim, de um grande significado imagético, um robô é uma máquina criada apenas para determinada função, e sendo assim ele deve fazê-la repetidamente sem a interrupção do chamado "cansaço humano", sua inteligência é mecânica e limitada, nascida de cabos elétricos e chips, perfeita para acelerar a produção de mais máquinas, mais inteligências iguais, um rebanho de ferro e parafusos criando exércitos das mesmas coisas fazendo as mesmas operações criadas das mesmas funções.
Talvez seja importante, então, a ausência de sentimentos, a frieza e, de certa forma, a crueldade em ser um boneco verossímil do corpo humano. Um robô não tem músculos, artérias, ligamentos cartilaginosos, pele e sangue. Mas ele tem uma força maior, um desenvolvimento indestrutível, é mais eficaz e menos fálico, uma disposição que os limites humanos não permitem. É verdade que um robô uma hora começa a apresentar problemas, e rapidamente pode se quebrar, sua bateria acabar, seus cabos arrebentarem, mas tão velozmente quanto ele é destruído, ele é substituído por um novo, um modelo mais avançado, com mais funções, com menos probabilidades de sua data de validade se aproximar. Um robô é um reflexo de uma criatura colossal e faminta, cheia de tentáculos venenosos, barulhenta e aterradora, chamada Ego.
Seria completamente impossível então, duas criaturas com os mesmos mecanismos, o mesmo pensamento pré-determinado, a mesma forma e compartilhando da mesma consciência imitada, se amarem? Sentirem o toque de suas entranhas frias, partilhando de gestos incompreendidos, se oferecerem, se entregarem?
Chris Cunningham obviamente, não deixa claro se o tempo que vemos passar é cronológico ou psicológico, se suas duas personagens, as duas Björk's robóticas e melancólicas, podem ser a representação de uma sátira às condutas humanas, aos seus limites e valores de impor definições a sentimentos que eles próprios, os seres humanos, não entendem.
Somos convidados a entrar numa clínica para reparos de robôs defeituosos, vemos e ouvimos a robô cantar sobre o amor, declarar os sentimentos de outrem que se fechou com o medo da mais simples permissão de amar. Para quem ele canta? Alí há apenas ele e grandes parafuseiras terminando de moldá-lo, fazendo seus últimos reparos. O que aconteceu com um robô que canta sobre o amor estar alí precisando de manutenção? Algo nele não deu certo?
As cenas movem-se então como se estivessem voltando, a lubrificação, a água, retorna. A água nunca retorna, ela segue seu rumo e encontra caminhos até mesmo entre rochas e colinas, na terra e no fogo, já disseram provérbios chineses. A água é a metáfora perfeita do tempo, o tempo cronológico é claro, pois quem pode controlar o psicológico? É estranho pois passamos a entender que, em vez de estar sofrendo reparos, o robô está sendo destruído pelas máquinas de manutenção, aquelas que até então tinham a função apenas de renovar e construir. Mas o outro robô, idêntico ao primeiro, entra em cena, ele o convida, ele canta junto, e como o seu parceiro, possui seios artificiais para identificar seu sexo. Duas robôs que se comunicam, veem algo em comum, elas não estão sendo renovadas, estão sendo desconstruídas, pois muito provavelmente estão ultrapassadas ou suas datas de válidade já chegaram.
Há então uma explosão de mensagens num único gesto, a robô a convida para sair daquele lugar, e juntas impulsionam a maior forma física de amar: o beijo. Elas não veem diferenças, são iguais, e quando há o amor surgindo, quem terá o direito de julgar sexo, gênero ou cor? Elas precisam daquilo, elas estão sendo extintas, estão sendo assassinadas lentamente pelas máquinas que não permitem que robôs tenham sentimentos, se declarem, se comuniquem e, acima de tudo, sejam humanos. Estão sendo oprimidas pelos seus iguais, pois elas também são máquinas, há uma anarquia imposta pelas ditadoras mais fortes e soberanas naquela sociedade, as que constróem e destróem e, por isso, tem a consciência de que podem fazer o que lhes for conveniente. Afinal, as máquinas opressoras também tem sentimentos, porque elas não estão permitindo, elas estão sendo hipócritas e contraditórias com suas crenças de que duas robôs idênticas não podem amar.
Uma contradição, obviamente, ainda maior e mais forte presente no curta, é a ironia extrema de dois robôs amando, levando-nos às vertentes das críticas sociais sobre a frieza humana, os estereótipos, o conformismo em ser igual, em não fazer tanto quanto deveria, apenas seguir aquilo a que lhe foi designado. A fotografia final nos faz captar que as duas robôs apaixonadas estão no meio de um coração, formado pelos braços violentos das máquinas opressoras que estão destruindo-nas enquanto estas usufruem dos seus últimos momentos antes de suas células de bateria acabarem. Uma ironia ainda maior, é claro, pois aquilo que as destrói, é aquilo que forma o que elas acreditam terem: o órgão representativo do amor, o mais vital e protegido na caixa torácica, a queda livre, a pulsação mais forte, o calor mais intenso, a dor mais impiedosa: o coração.
"Você receberá amor,
Deixe-se receber os cuidados,
Você receberá amor
Permita-se confiar nisso
Talvez não das fontes
Em que derramastes
Talvez não das direções
Em que ainda observas
Mova sua cabeça
Está tudo ao seu redor
Tudo está cheio de amor
Tudo ao seu redor
Tudo está cheio de amor
Você apenas não está recebendo
Tudo está cheio de amor
Seu telefone está fora do gancho
Tudo está cheio de amor
Suas portas estão todas fechadas..."
Permita-se confiar nisso.
~
Black Cherry
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Modos

Não estou triste por você
Não estou triste por mim
Estou triste por você não existir por mim
Se pudesse te ser de verdade
Se pudesse não mais no onírico
ser o que eu um dia queria saber
Ouça o mundo de novo, ouça o encanto
Pare para escutar com atenção
Não como se fosse um abraço
A textura é leve, o pensamento pesa
Está tudo certo, está tudo bem
Não tenta de novo, não fracassa
E oh, por que fui tão insistente?
E dentro de você eu permaneço
És de todas as formas, meu maior esconderijo
Meu mais belo ato de covardia
Seguro, não me envolva
Eu estou bem, sem tanta certeza
E eu não sei porque, mas porque tá perdido
Se fantasma, se desrecordação
Carne taxidérmica, distância
Não quero me renovar ao teu toque
Jamais
~
Verano
Arte: Hikari Shimoda
quarta-feira, 21 de março de 2012
Can't

Há algo doce e macio nessa torta holandesa que funciona apenas com a companhia de um café com leite. Há algo nessa torta fria que se dissolve com o café quente que parece atingir de alguma forma aquele lugar bem mais lá embaixo, um porão fechado há anos. Ele é eterno, não o doce da torta, é claro, porque ela já está no seu estômago, que é o lugar onde ela pertence, mas sim o porão. É como se a torta e o café fossem servidos para uma causa maior, para alimentar uma alma atormentada nesse porão, magra, abatida, seca, sem nada a perder, e por que não esse tanto de chantily com café e leite?
É claro, o café deve ser com açúcar, porque ninguém atura adoçante.
Você então veste o seu casaco, calça seus coturnos, pega a chave e vai direto para o elevador. Aperta o P de Piso e para no quinto andar, um rapaz louro de olhos azuis lhe pergunta se você tem um celular disponível, pois ele está sem chaves e precisa de ajuda. Infelizmente seu celular ficou no seu quarto, lá no décimo terceiro andar, no 1303, e não é ironia. Ele lhe dá um sorriso e você pede desculpas por não ter ajudado, ele diz que tudo bem e, antes do elevador fechar, ele olha para você um pouco mais do que alguém que precisa de ajuda olharia. Talvez ele necessitasse de um outro tipo de ajuda. Você ri internamente e só então percebe a intenção da situação.
As ruas correm com vento, pessoas famintas por suas camas, carros vorazes que são capazes de se transformarem em robôs apocalípticos a qualquer instante de tão barulhentos que são. A fumaça, monóxido de lábios e de escapamentos, um palácio e um museu, lado a lado, árvores e logo alí uma praça. Veja alí um casal carinhoso, sem medo da represália com seus afetos ao público, mas olhando bem, ninguém realmente se importa ou acha bonito. Por que deveria ser bonito? As árvores não assoviam, as árvores não dançam, elas são sacudidas como se estivessem sonolentas e precisassem de um toque desesperado para ficarem mais lúcidas. Esse pode ser o papel do vento, aliás.
Há várias músicas e vários gostos, você tenta esquecê-los e se foca apenas nas suas peculiaridades. É claro que isso é irrelevante. Você está com as pernas doloridas de tanto caminhar, mas não liga, aquela dor já lhe é familiar, amigável, quase simpática e você adora lembrar daquele sonho ruim que te acordou às 03:03 da manhã e ao mesmo tempo se lembra também do rapaz simpático, à procura de sabe-se-lá-o-quê.
Pode estar, de uma forma ou de outra, bem esgotado. Você sente falta e sangra por isso, você sente a própria ausência e por ela mesma não consegue mais chorar, não que você tenha congelado, se transformado numa criatura rígida e sem nada na superfície ou debaixo d'água. Mas as coisas estão por um caminho tão cruel e ininterrupto que você sente um medo enorme de se mostrar. Você já sabia que era a hora de ir embora, de superar. Acho que pode ser isso mesmo, pode ser que seja.
Tanto faz, você não deveria se importar tanto com isso.
~
Black Cherry
sábado, 10 de março de 2012
Corte

Você sabe qual é a hora de ir embora
Sabes do momento mais oportuno?
Já vistes a forma que o amor toma para si
Quando teu caminho cego e inconsequente
Está cansado demais para continuar
com a luz acesa, o poste queimado, a lua escondida?
Sabes então que isso também tão logo chegaria?
O corredor mal-iluminado, naftalina, dentro das fechaduras
as chaves quebradas
E se é impossível então abrir as portas
Por que não tentas ao menos um pouco morrer um pouco para uma pouca dor?
É tanto o que se pode desejar
Meu fantasma não te chama mais,
Ele te seduz, te entorpece, te escarna
Tua pele poderia se tornar mais rígida aos meus toques
E que conveniência é essa de desacreditar na minha sombra?
Eu sou um sonho e esse amor é metafísico, não te esqueças dele, esse velho testamento
Te lembras ainda quando lhe solicitei a palavra?
O princípio não era o verbo, e minha cama está desamurrada
Não deixais teu odor fugir
És egoísta para antes das minhas fronteiras
Rua, corredor, rua, banheiro, rua, sala, rua, quarto
Até quando tentarás te desabrigar de ti mesmo?
Eu aceito tua maleficência, corte-a em pedaços, me deixe saborear
Venha afogar-se em meus braços
Use meus pulmões para me enxergar
Lá fora o mundo não condena
Ele corre feito um carneiro, morre como um leão, nasce tal um demônio
E já não sinto mais meus pés
Estás submerso à minha escuridão
E minhas pálpebras não te deixarão mais fugir
Meus cílios perfurarão tuas orações
E para ser mais exato, fui eu quem enforcou a tua alma
e cortou teu cabelo para te fortalecer
Fortalezas se demoliram dos meus ombros
Desapareceram daquelas encostas rochosas
Nenhum farol se quis procurar
Nenhum corte minimalista ao pulso me fez acordar
Deixa-te morrer um pouco mais
Deixa-te
Eu posso ainda esconder teu corpo, se bem quiseres
Dentro de mim, úmido, crucificado
Dançais.
~
Black Cherry
Photo: Darek Slusarski


