Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

domingo, 1 de julho de 2012

Retrospectiva Black Cherry



Olá povo que acompanha meu blog, como vão? Eu vou bem, ou parcialmente bem, ou muito bem obrigado. Pois então, anteontem foi meu aniversário e eu ia fazer essa postagem nesse dia mesmo, mas as amigas não deixaram e só tive tempo agora de preparar isso daqui.

Eu já estava pensando em algum tempo em fazer uma retrospectiva dos personagens que escrevi, não todos (porque não dá mesmo, haha), mas dos principais, ou melhor, dos meus protagonistas gays (quase todos), e a evolução que eles passaram (e que eu também passei) no decorrer dos meus treze anos pra cá. E eu não preciso explicar porque eles surgiram a partir dos meus trezes anos, então vamos começar a listar.



Bem, 2007 foi um ano bem complicadinho pra mim, e na verdade bem estranho. Considero o pior ano da minha vida por uma série de coisas horrendas que me aconteceram, mas teve muita coisa legal também (definindo o máximo de coisa legal nesse ano: eu assistindo Ranma ½ religiosamente.), mas enfim.

Da minha infância para os meus treze anos eu só havia me dedicado à poesia (apesar de que durante algum tempo, entre os anos de 2004 a 2006, eu também fazia histórias em quadrinhos, apesar de que desenho obviamente não é minha área. Penso mais nisso como storyboards de diálogos que eu criava, histórias, “filmes”, e precisava ilustrar, porque eu não tinha maturidade pra descrever da forma que eu queria). Chegou o ano de 2007 e, por várias influências eu comecei a escrever contos, histórias, larguei as minhas escabrosas histórias em quadrinhos e então entrei nesse mundo de descrições e valorizações ao diálogo, criação da personalidade de personagens, etc. Esse foi um primórdio de um gênero que criei com Louie Mimieux, chamado Série de Contos, ou seja, uma história grande dividida em capítulos, como um mini-livro, só que mais resumido para entrar no blog (e, bem, só criei o meu blog em 2009), então vamos lá.




2007

União de Corpos: Angel e Thiago

Sim, eu dei o nome do meu personagem de Angel porque sou dessas. União de Corpos foi meu primeiro contato descritivo com o sexo, mas minha narração ainda era seca e porca (eu tinha treze anos, perdoem-me). Eu montei treze personagens, caracterizei cada um deles e todos tiveram seu devido destaque na trama, e entre os protagonistas, estavam Angel e Thiago. Angel era casado e tinha até uma menina adotada, mas sofreu uma tragédia e passou a ser uma criatura silenciosa e que, de alguma forma, foi atraindo o Thiago que havia acabado de terminar com a namorada e estava achando no Angel um porto seguro, porque além de se sentirem atraídos um pelo outro, eles eram amigos. Em teoria, o Angel foi meu primeiro personagem gay, pois o Thiago pendeu mais pro lado bissexual. União de Corpos teve uma segunda parte não concluída e acabou por aí, é uma das minhas várias histórias pendentes na minha vida e que, talvez, eu resgate para desenvolvê-la melhor.




2008

A Casa dos Segredos: Phoenix e Joaquin.

Olá para o meu tesão em nomes exóticos mais uma vez. Sim, o segundo personagem gay que eu criei tinha esse nome mesmo, Phoenix. Eu vejo o Phoenix como uma versão adolescente do Angel, exceto que o Angel se tornou uma pessoa assim, amarga e pouco sociável, e o Phoenix sempre teve essa personalidade desde pequeno. Phoenix, além de ser meu segundo personagem gay, é o meu primeiro mártir. A Casa dos Segredos partes I e II escrevi no meu diário, a primeira parte reescrevi num caderninho alheio (em 2009) e a segunda está até hoje bagunçada e desorganizada lá. Phoenix é um adolescente que vive sonhando que está caindo do prédio em que mora, por ser introspectivo desde pequeno seu pai o trata mal e constantemente o espanca. Ele é conformado com a vida que tem e pouco sente as dores externas do mundo que o rodeia. Joaquin é o único amigo que tem, embora Phoenix nunca tenha contado nada da sua vida para ele. Eles se amam sem toques mais íntimos, eles apenas se abraçam. Sem beijos nos lábios ou carícias mais íntimas, porque o calor que eles compartilham é o suficiente para deixá-los fortes contra o mundo que os cerca. Acho que em 2008 o Phoenix foi o personagem mais forte e marcante que consegui criar.




A Árvore e a Aurora: Jorge e Pedro.

Não tem muita coisa sobre esses dois, exceto que eles descobriram sua sexualidade juntos e, até antes disso, eram quase amigos. Existem mais dois personagens femininos bem relevantes na história que agora eu não me recordo muito bem (essa história foi toda manuscrita, eu nunca cheguei a digitá-la e hoje está guardada numa gaveta bem lá no âmago do meu quarto). Ah, e o Jorge tem um irmão mais novo, motivo pelo qual ele ser tão fraternal com o dependente Pedro. A relação deles dois é uma coisa mais “romancinho de verão”, embora tenha sido bastante intensa (não que eu tenha consigo transportar isso numa descrição minha de 2008, mas ok). E foi a minha primeira história inspirada num sonho que tive.




2009

Horas de Um Outono Submerso: Outono e Winter

Sim, reescrevi A Casa dos Segredos, linda e maravilhosa para um caderninho alheio, como já disse lá em cima e foi meu único contato nesse ano com a crônica. Em 2009 eu me dediquei apenas à poesia e esqueci completamente dos contos. Dessa dedicação saíram meus livros Santuário, Um Momento de Alice, Horas de um Outono Submerso e a minha peça Desistência, de todos esses apenas Santuário foi publicado e está disponível só na minha cidade natal. Os únicos personagens gays que surgiram nesse mar de poesia foram os estranhos Verano, Outono e Winter (ou Inverno, personagem que eu futuramente usaria para meu retorno ao mundo cronista). Verano é irmão mais novo de Winter e se tornou um heterônimo meu, além desse eu criei em 2009 o meu primeiro batizado de Pedro Oliver, que é o respectivo autor de Um Momento de Alice e Horas de um Outono Submerso, outros livros guardados no âmago do meu quarto. Verano é mais um estado de espírito do que um personagem em si, uma espécie de arquétipo da minha identidade, tanto sexual quanto poética, motivo pelo qual ele especialmente ter se tornado um heterônimo. Verano tem em torno de sete poesias dedicadas à ele, mas ele não tem história e tampouco forma física. Verano é o meu maior fantasma literário e até hoje é ele quem escreve a maioria dos poemas postados neste blog. Outono e Winter tiveram uma história em forma de poesia, de mais uma compilação poética que agora também não me lembro do título, mas sei que foram em torno de quarenta poemas contando o fim, o meio e o recomeço da trajetória desses dois. Outono afinal era só um amante dos sonhos que Winter costumava idealizar quando se injetava heroína.




2010

Black Cherry: Black Cherry e Lucas Lustat

Enfim, eis que surge Black Cherry, ou Black Cherry Mayfair para os íntimos, embora nesse ano eu ainda não tivesse o adotado como um novo heterônimo, isso aconteceu bem depois. Black Cherry surgiu no início do ano e comecei a esboçar uma história pra ele, então em meados do primeiro semestre passei a postar no blog (criado em 25 de agosto do ano antecessor) e Lucas Lustat foi outro. Black Cherry é um escritor amargo que foge da casa da mãe em busca de reconhecimento literário, e Lucas Lustat é um belo rapaz que se torna michê para pagar o plano de saúde da mãe que está com câncer (mas ela acaba falecendo e ele se torna pior ainda). Eles acabam se conhecendo em Nova York, o único porém é que Lucas Lustat ainda tem uma relação pendente e mal-resolvida com a impetuosa, inescrupulosa e inconsequente Stella Vazjekovzka (a maior e mais forte personagem que Louie Mimieux já criou. Sim Louie, Stella sempre será a melhor pra mim, ninguém – e eu repito – ninguém vai superar na sua escrita a insanidade, o erotismo e a fortaleza de sentimentos que é Stella, quiçá a melhor prostituta literária que já li.). Enfim, desse triângulo amoroso não sai nada de bom, até porque foi Black Cherry quem se intrometeu no romance de Lucas e Stella. Mas para entender melhor e saber o final dessa união literária entre os meus personagens e a personagem do meu amigo, aconselho a ler Stella Para Sempre, a segunda parte das crônicas nova-yorkinas e francesas da modelo mais boca-suja que a moda já conheceu.



“Puxou um cigarro da carteira do seu bolso para fumar. Sem camisa, foi para o sobrado de seu apartamento ver um pouco da deslumbrante vista de Nova York, para ele, entediante. A lua estava cheia, e ele também, cheio de angústias congeladas no seu peito, mas isso ele preferia não mostrar, tinha que ser mais frio do que estava por dentro, não posso me dar ao capricho de chorar. Tocou em sua pele tão branca quanto um véu para sentir o ar daquela cidade penetrando na sua pele, e fechou os olhos.”

Black Cherry, Origem.




Hidden Place: Frey e Hermod.

Como eu escrevia ainda muito pouco e meus capítulos eram curtíssimos, foi um susto para a minha pessoa escrever enlouquecidamente em menos de duas semanas treze capítulos sobre um grupo de amigos e seus problemas numa cidade invernal (cidade essa que seria sempre ambiente das minhas futuras histórias, mas que não tem exatamente um nome em específico). Frey é diariamente estuprado pelo pai, até que decide contar para sua melhor amiga Forseti e ela resolve ajudá-lo como pode. Ele tem uma irmãzinha mais nova chamada Freya e ela é a única coisa na vida dele que pode ser chamada de “esperança”. Na trama, surgem também Heimdall, que nutre um amor platônico por Frey e tenta de todas as formas fazer com que ele o enxergue, e Hermod, o amado de Frey e um relacionamento que destrói Heimdall pouco a pouco, embora esse seja o mais ‘forte’ de todos os outros na história. Fracos, impotentes, volúveis e depressivos, que buscam de todas as formas saírem da vida que tem, esse é o mundinho de Hidden Place.



“Voltou a chorar, chorar como uma criança abandonada ou um cachorro atropelado. A criança? Sempre só. O cachorro? Sempre machucado. Era sempre assim, ele sempre acabava assim, pelado no frio e sem ninguém pra desabafar. Sem nada para fazer, e até ser levado pelas ondas furiosas da sua tristeza. E mesmo depois de tudo aquilo, ele não sabia como começar tampouco como terminar de chorar. Mas nada mais importava, pois ele levantou, magro e com fome, nu e com frio, para perambular pela sua casa no terceiro amanhecer, e lá estava, a fotografia na estante do seu quarto.”

Hidden Place, Epílogo: Fotografia.




2011

Vidro: Inverno e Jezebel.

E aqui está ele, Inverno com seu romance palpável, e não sua imaginação como foi com Outono. Em Vidro há pequenas participações de Verano na história (e Outono também, mas em Vidro Outono é apenas um irmão, e não o verdadeiro Outono da minha história poética), o segundo heterônimo que criei, embora ele não tenha relevância alguma nos seis capítulos que narram as neuras de Inverno e o desespero de Jezebel em salvar aquele que ele gosta de proteger. O problema é que Inverno tem uma personalidade autodestrutiva e começa a usar drogas, o que interfere (e muito) no seu efêmero relacionamento com Jezebel. Jezebel, um adorável nadador que perdeu parte da família num incêndio e carrega uma cicatriz num dos ombros, afundou-se no amor de Inverno, mas não conseguiu salvá-lo de si mesmo. E aqui está o retorno dessa personalidade silenciosa que tanto gosto de desenvolver e recriar nos meus dramas, mas narrada em Vidro de um ponto de vista diferente.



“E então as ondas se congelaram como a boca de um animal empalhado, simulando uma grande mordida, e o horizonte também congelou. Ondas de vidro, sol de vidro, nuvens de vidro, apenas areia e neve verdadeiras. Mas era muito estranho, pois tanto Jezebel quanto Inverno não sentiam um mínimo sinal de frio, pelo contrário, estavam felizes por canalizarem com mais atenção o calor um do outro. Jezebel passou a costa da mão no rosto pálido do seu amado, e o beijou.”

Vidro, Capítulo 06.




Lacrimosa: Liber e Caim

Ahh... Lacrimosa! Setenta e oito páginas escritas em duas semanas, mais uma história que veio do mar profundo dos sonhos. Era uma ruela mal-iluminada, em que tocava um jazz de algum bar exalando cigarro e tequila, e nessa ruela havia um único banquinho e um poste. Perto do banquinho, um homem alto e loiro aguardava alguém, fumando e aquecendo as mãos. Acordei, escrevi um conto sobre isso, mas esse conto se tornou dois capítulos, e depois três, e depois doze. Eis que nasceu Lacrimosa, e os respectivos protagonistas Liber, Abel, Seth e Caim, uma história que busca o passado para entender as atitudes do presente dos atormentados personagens que fizeram de Lacrimosa uma das coisas mais belas que já me aconteceu. Eu simplesmente entrava em inconsciência extrema com o mundo externo (não que isso nunca acontecesse, mas com Lacrimosa isso foi mais intenso) e escrevia até achar que estava na hora de parar. Liber é um personagem bastante comunicativo em comparação com os outros que escrevi, sendo que deveria ser a vez dele de ser o “silencioso do ano”, ele conhece Caim e, juntos, passam a se encontrar apenas para se observarem, até que Caim tenta abordá-lo, ele se assusta e vai embora. Liber não vê Caim por um bom tempo até que, sem perceber, já sentia a falta dele, e foi assim que nasceu o amor dos dois. Caim é raivoso e carrancudo, o completo oposto de Liber, que apesar de ter um passado triste ao lado do seu irmão Abel, ainda é mais sorridente e empolgado, e está passando por um bloqueio psicológico e não consegue mais escrever. Caim é a sua chave e aquele que colore mais sua vida cinzenta e tediosa. Para uma história enorme que escrevi em tão pouco tempo, não deveria faltar é claro uma grande revelação no último capítulo, mas isso deixo para quem quiser ler e não perder a graça da série.



“- Eu sou só uma cidade destruída, Caim... Cinzas de uma guerra sem sentido...

Caim me beijou na testa, e então encostou os lábios no meu olho não-inchado, até descer à minha boca e apertá-la com a sua. Tão cuidadosa e esperançosa. Tão minha.

- Eu acho que por debaixo das cinzas ainda existe brasa queimando...

Meu coração se contorceu na minha caixa torácica.

- E quem vai querer andar nas cinzas em busca de uma mínima centelha de fogo?

Ele parou de me beijar e segurou a minha mão, colocando-a no seu peito, respondendo a minha pergunta.

“Eu”, seu olhar falou.

- Andaria descalço sobre a cinza e a brasa, por alguém como você vale a pena algumas queimaduras.”
Lacrimosa, A Neve.





“Ele me velou com sua paixão ocular e eu me transformei em água. Água do mar que afogou seu pescador.”

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