Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

sábado, 23 de junho de 2012

Erotica: Lolito de Marte 01

*Uma pequena notinha*
Olá povo que acompanha (ou eu penso acompanhar) meu blog, como vão? Eu vou ótimo, ou pelo menos perto disso. Enfim, faz um tempinho que não movimento a sessão Erótica aqui nos sóis de Andrew Oliveira (e estou providenciando à pedidos uma terceira parte do romance entre Merlyn e Malcolm, da respectiva crônica Mon Petit Vulcán). Afinal, o motivo de eu ter criado a tag Erotica no meu blog foi exatamente por essa história que vou postar, Lolito de Marte, porque em comparação com Mon Petit Vulcán, Lolito é pouco louvável, a narração é bem porca e de baixo calão, então não esperem uma grande história, com grandes personagens ou tramas intrincadas, o único motivo desta história clichê, pornográfica e imunda ter nascido foi exatamente essa: sexo. Sexo mesmo, vocês vão ver pau e bunda pra todos os cantos, então nem se assustem porque é a primeira história que, por falta de uma expressão melhor, desci do salto da poesia e do romantismo e me dediquei somente à carne. Não tem nada de inovador ou tão legal, é só sexo, vocês podem encontrar isso em qualquer site pornô (ou até com uma escrita melhor), mas é a primeira vez que eu tinha feito algo assim (escrevi essa história em outubro do ano passado durante uma aula de - e sinta só a ironia da coisa toda - Física, com alguns papeis rasgados e caneta, minhas melhores amigas tomaram de minhas mãos, leram e exigiram por mais como um ultimato, então, escrevi 24 páginas em quatro ou cinco dias e passei pra elas, Lolito tem duas partes e é um pornô ainda não concluído).
Bem, está tudo avisado, e eu não espero por críticas porque é uma aleatoriedade da minha vida de escritor e se você não gosta... Bem, se você não gosta acho que é só sair do meu blog porque ele é regado a sexo, e agora, depois desta postagem, definitivamente ficará mais pesado.
Boa leitura para aqueles que vão prosseguir.
Doces beijos da Cereja Negra.


Minha posição era Quaterback. Atacante, zagueiro. É. Isso aí. Eu posso lhe dizer que minhas noites se resumiam em bebedeira com os amigos. Eu era, e ainda posso ser – não descartando possibilidades – um completo idiota. Até hoje acredito que boa parte dos meus neurônios foram tostados pela cerveja. Não me pergunte como eu tirava boas notas, como eu era o aluno mais aplicado de uma das melhores escolas públicas de Ohio, e como eu adorava ler Tolkien, Lewis e Pullman. Minha história pode começar de várias formas: de um jeito mais romântico, de uma forma mais simples e menos detalhada. Mas ela vai começar – e vou logo lhe revelar – de um jeito erótico, e depois ficará mais erótico, pornográfico, imundo. Por quê? Porque eu sou assim.
Vamos para a minha história. Venha, venha comigo, não me abandone.

~
O tema da noite do baile era Carnaval em Veneza. Faltava exatamente um dia para chegar. Não sei quem é o idealizador desses títulos mais-do-mesmo. No mundo todo existem bailes com a temática o carnaval exuberante de Veneza, formaturas, aniversários. Será que Veneza é o único lugar inspirador neste mundo? Céus.
Mas eu particularmente não teria criatividade para idealizar um baile de final de ano, tampouco saco para gostar de um. Eu ía para este baile, na verdade, porque queria transar.
Segunda-feira. A manhã estava nublada e agradável, e eu fui o primeiro a ir para o vestiário. Abafado com a água evaporada das duchas, cheirando a suor e corpo masculino. Eu, como todos os outros, estava acostumado com aquele odor, mas não foi exatamente isso que me chamou a atenção.
Tirei minhas ombreiras, meu uniforme e já estava apenas com aquela cueca esportista confortável, que cobre apenas o sexo e deixa as nádegas de fora, quando o resto do time entrou e fez o mesmo. Foi um pouco antes disso que vi nosso treinador puxando a mão de um garoto reserva e colocando-a no seu peito, mas o garoto o rejeito e correu para fora do vestiário.
- O que foi cara? Tá com a cabeça na lua? – meu amigo Roger bateu no meu ombro. Roger era o mais alto e mais musculoso do time, tinha os olhos verdes e a pele naturalmente bronzeada, os cabelos lisos e desgrenhados, cílios longos, rosto expressivo que exalava um pouco de seriedade quando na verdade não tinha, e era um ano mais novo que eu.
O que eu detestava, pois minha cabeça chegava na altura do seu pescoço. Mas eu era branco, possuidor de músculos bem desenhados, cílios e olhos meio cabisbaixos, mamilos rosados, e pegava mais garotas do que ele. Roger na verdade teria tudo para ser o maior pegador da escola, não fosse um detalhe: ele tinha um pequeno problema com tamanho. Sua ‘coisa’ era maior que o normal, apesar de eu achá-lo interiormente muito bonito. E suculento.
Entenda, a maioria dos bem-dotados ou não sabem fazer, ou gozam muito rápido devido ao alto grau de hormônios que eles produzem. Claro que isso não vale para todos.
- Não é nada, eu... – fui interrompido quando chibataram a minha bunda com uma toalha molhada. – Filho da puta! – Roger e o agressor, John, riram.
- Não liga, Julien. – Roger sorriu, aquele sorriso de moleque.
- Bem. É que eu estava afim de sair hoje.
- Beber?
- Isso.
- A gente não pode ficar de ressaca amanhã, cara. Amanhã é o baile de formatura. – Roger tirou sua cueca e ficou coçando as bolas. Volumosas e soltas, balançando na minha frente.
- Não precisamos ficar de ressaca. Vão ser só umas cervejinhas, e depois vamos para a minha casa assistir futebol.
- Acho que então tá tudo bem.
- Você está com a sua caminhonete?
- Claro.
- Então está tudo certo.
Entrei na ducha quente ao seu lado. Olhei um pouco para o seu corpo até perceber que o treinador observava diretamente a mim, o que me deixou enrubescido e virar a cara para o chuveiro, ficando de costas. Que irônico. Mas aquela cara macho-alfa-malvado me dava um certo medo. Nosso treinador vivia com a barba por fazer, as expressões rígidas e os braços fortes sempre cruzados. E seu peitoral era peludo, mas nem por isso o deixava menos atraente. Atraente? Deus!
Voltei a me virar e encontrei apenas os corpos dos meus amigos, nus e ensaboados, massageando seus peitorais inflados, suas nádegas cheias, lavando com cuidado seus prepúcios. John me percebeu e ficou pegando nas bolas enquanto olhava pra minha bunda e dava um sorriso cínico.
Esquecendo isso, saí da escola e me encontrei com Roger no estacionamento. Ele já estava com uma cerveja na mão, o que me fez ter vontade de matá-lo.
- Seu idiota! Quer ser expulso da escola? – esbravejei, enquanto entrava na caminhonete ao seu lado.
- Veja quem está falando. O veado que olha pro meu pau a todo momento.
- Cale a boca. – fechei a cara no mesmo instante.
- Relaxa, Julien. Você é meu melhor amigo. Veado ou não, eu te amo, cara.
- Pare de me chamar, então, se você quer continuar a ser meu amigo.
Roger me olhou com o cenho franzido.
- Por que você está estressado?
- Não estou estressado.
- Está sim.
- Não estou.
- Está.
- Ok. Eu esqueci meu caderno de matemática no armário do vestiário, e tenho dever de casa para entregar amanhã. Só que andar tudo isso de novo é irritante.
- Quer que eu entre de caminhonete na escola?
- Não.
- Então vá lá, ué. Eu te espero.
Bufei, olhei para ele de canto-de-olho com desprezo, então abri a porta e voltei para a escola. O sol estava morno e avermelhado refletindo nas janelas e em alguns corredores mais amplos. Um ou outro servente passava com um carrinho e um esfregão. Corri e dobrei, chegando tão logo no vestiário e dando de cara com Lilin, a maior cachorra naquele quilômetro quadrado, passando os dedos indicador e polegar nos lábios, e depois limpando no short jeans curtíssimo. Ela poderia estar corrigindo o batom, oras.
- Eaí Julien. – ela deu uma piscadela e foi embora rebolando como uma dançarina do ventre.
Caminhei com relutância e me direcionei ao meu armário, esperando ver outra surpresinha. Acho que veio, e eu meio que esperava. O treinador surgiu fechando o zíper e passando a mão no cabelo amarrotado. Ele estava com as bochechas vermelhas, a boca meio aberta como um bobalhão, e o olhar perdido. Mas voltou à expressão habitual de seriedade quando me viu.
- Julien! O que está fazendo aqui?
- Estou... É... Estou pegando um caderno. Preciso dele para amanhã.
- Sim, sim... Amanhã será o baile também, certo?
- Isso aí.
- Você vai?
- Vou sim.
- Tem uma companheira?
- Não é alguém que eu possa chamar de companheira, mas acho que sim.
- Então... – ele coçou o queixo, e por um rápido instante olhou para o chão, para depois voltar-se a mim. – Você foi muito bem hoje no treino.
- Obrigado, treinador. – me senti um pouco envergonhado.
- Não! Estou falando sério. – ele caminhou a passos largos e depositou a mão direita no meu ombro, respirando na minha nuca e me causando um leve arrepio. – Se precisar de qualquer coisa, me avise.
- Sim, treinador.
O treinador saiu com discrição, como esperado dele. Eu sentei para refletir um pouco sobre o que ele tinha me dito. Não, Julien, ele é apenas seu treinador. Sua ética o impediria de fazer qualquer coisa com você. Mas, ué, era óbvio que Lilin estava fazendo o maior boquete naquele homem!
Isso não me interessa. Isso...
- Julien!
Meu Deus! Ninguém mais sai desta escola?
- John...
- Que desânimo é esse?
- Não é nada. Já estava de saída. Até mais!
Foi quando eu já estava perto da porta que John, apenas de toalha, me chamou.
- Espere!
- O que foi?
- Você... Você vai para o baile de Inverno?
- Vou sim. – mais um?
- Já tem acompanhante?
- Tenho.
- Então...
Espere um segundo. O que John estava querendo dizer?
- Então?
- Bem, queria que você fosse comigo.
Aquilo me irritou. Mas não se engane. Me irritou porque aquele não era John, era John usando suas táticas.
- Escute, John. Não vai ser balançando o pau pra mim no banho que vai me fazer ir pra algum lugar com você.
- Me desculpe. Só estava brincando.
Fitei o seu rosto impassível com mais atenção. Aquilo não era arrependimento, era uma inocência forçada. Mas, de alguma forma, eu estava gostando.
- Bem... Então até mais.
- Até.
Sem se importar, desenrolou a toalha da cintura e colocou uma perna em cima de um banco retangular para enxugar as coxas e as pernas. Com sua bunda toda aberta e empinada, e aquelas bolas tão volumosas quanto as de Roger balançando logo abaixo. Mas ele era depilado. Muito, muito mais depilado.
Corri de volta para o estacionamento e flagrei Roger ouvindo Placebo num volume consideravelmente forte. Ele costumava falar que Placebo era “rock de veado”, desde que ouviu a canção Nancy Boy, passou a dizer que não demoraria para que o vocalista Brian Molko se assumisse.
- Roger, você está me assustando.
Roger sorriu.

~
Acordei quando o despertador estava tocando pela milionésima vez. Eu havia escutado todas as novecentas e noventa e nove vezes, e estava com preguiça demais para me importar com todas elas.
Abri os olhos com muita força de vontade e vi 09:00 horas piscando nas luzinhas avermelhadas. E me lembrei de que não havia feito o dever de matemática.
- Puta merda!
Voei para o chuveiro, para a pia, e depois para o meu guarda-roupa. Desci como um trovão e me deparei com Roger de cueca, arregaçado no sofá como um cachorrinho querendo carinho na barriga, de boca aberta e babando.
- Puta merda! Porra! Porra! Porra!
Roger se levantou todo desnorteado, esfregando os olhos e se sentindo confuso.
- O que foi?
- Estamos atrasados!
- Estamos não, você está. Entreguei meu dever ontem. – então ele deitou o corpanzil de novo no sofá e voltou a dormir agora de bruços.
- Filho da puta! Cadê seu dever?
- Com o professor, idiota. – ele mais grunhiu do que falou.
- Ei! Ei! Pode levantar e vir comigo! Você precisa ajudar as garotas com os preparativos finais do baile!
- Eu não. Passei um mês inteiro ajudando e instalando luzes naquela porra de quadra. Já fhix maish dfo que shufichienthe... – juro que vi vários “Z’s” flutuando na cabeça de Roger.
- Ai meu Deus! Quando terei um amigo útil neste mundo?
Roger deu uma risadinha gutural, como um perfeito bêbado faria.
Fui em direção a ele, peguei suas calças no chão e roubei a chave da caminhonete. Depois dei uma passeada na cozinha e roubei uma maçã e um iogurte, indo embora e deixando Roger como surpresinha para minha irmã Claire.

~
Fiz o dever de matemática no primeiro horário de história, entreguei no quarto a tempo e, no final do quinto, após o almoço, Roger surgiu com o sorriso mais cínico do mundo. Sentou-se com sua bandeja ao meu lado sem ligar pra minha expressão de mau humor.
- Eaí. – ele afagou minha cabeça e bagunçou ainda mais meu cabelo.
- Hum...
- A Claire quase teve um treco, sabe.
- Que interessante.
- Ei, por que você não me disse que ela estava lá na casa da sua mãe?
- Porque ela veio no final da tarde de ontem, antes de chegarmos. – pensei um pouco em papai.
Roger pareceu ler minha mente.
- E o seu pai?
- Acho que está bem. Ele tenta ser o mais flexível possível com ela. Você sabe o quanto Claire adora irritá-lo.
- Relaxa, cara. Claire tem só dezesseis anos.
- Roger, nós temos dezessete. Qual é a grande diferença nisso?
- Nós já transamos, ué.
- Você tem certeza que ela nunca transou?
Enfiei outra maçã na boca. O salão de almoço não estava muito cheio, pelo fato de boa parte das pessoas estarem ajudando com a véspera do baile. Lilin, com espectadores ou sem, entrou e se sentou numa mesa de frente para mim. Roger, discretíssimo, seguiu meu olhar e deu de cara com ela, dando um provável sorriso bobo e depois voltando-se para mim e falando mais baixo.
- Você já soube da última?
- Que última?
- Da Lilin.
- Não, e não creio que isso vá me interessar.
- Acho que vai sim... Sabe o treinador que você gosta?
- Eu gosto do treinador? – Mas... O quê?
- Você não fica olhando pra ele, ué?
- Olho pra ele porque ele é meu treinador, Roger, não um pedaço de carne.
- Bem... Eu...
- Escute. O fato de eu gostar de caras não significa que eu mele minha cueca toda vez que veja um.
- Desculpa.
- Mas continue.
- Continue o quê?
- A novidade da cadela, seu estúpido.
- Pois então... Sabe o treinador que – se eu tivesse um pouco mais de força mental, eu poderia matar Roger com meu olhar. - ... Pois é. Tá todo mundo falando que Lilin transou com ele.
- Transou? Pra mim parecia mais um – Roger me olhou com total surpresa –...Boquete.
- Você sabia?
- Claro. Eu a vi ontem quando voltei pra pegar minha mochila.
- E por que você não me contou?
- Porque isso não é da minha conta. Nem da sua.
- É claro que é da minha conta! E se ela for boqueteira nos tempos vagos?
- Seria uma festa de herpes labial.
- Você é nojento.
- Nojento é abrir o zíper pra qualquer boca que esteja disponível a chupá-lo.
- Quer me chupar também?
- Vá se foder.
Roger riu, o que me fez rir também, mas por pouco tempo, pois meu sorriso se murchou quando Lilin, a própria, se aproximou do meu amigo e o envolveu com seus braços finos, cobertos com duas braceleiras de ouro branco, e abriu os lábios numa naturalidade até incômoda.
- Olá Julien. Olá Roger. Como vão? – sua voz era fina, mas não era irritante, servia perfeitamente para persuadir qualquer um a transar com ela. Até mesmo um treinador de futebol americano. Lilin era magra, porém, possuía uma bela silhueta curvilínea, as pernas finas e que combinavam com sua pouca altura, os cabelos castanhos tingidos de loiro nas pontas ao vento, suavemente cacheados. Olhos escuros, que não tinham profundidade alguma, e sobrancelhas sutilmente arqueadas, desenhadas com a mais artística das pinças. E os lábios, os lábios eram um perfeito coração, pintados com um batom rosa e cintilante. Se eu não fosse gay, com certeza a comeria.
- Va... Vamos bem. – Roger gaguejou.
- Estou incomodando alguma coisa? – ela fez um beicinho mimado.
- Não, não! Que nada! Quer se sentar ao nosso lado? – Isso ainda era Roger falando.
- Seria um prazer. – Lilin bem poderia se passar por uma gata ronronando.
Então, o habitual silêncio letárgico que eu costumava quebrar.
- Você vai para o baile, Lilin? – perguntei, tentando ao máximo parecer simpático.
- Não sei. Bailes são entediantes... Mas era exatamente nesse assunto que eu queria tocar com vocês, meninos. – Tocar... – Depois do baile, uma amiga minha vai fazer uma festa na casa dela, sabem, quando nossos pais decidem nos deixar em paz por um tempinho e saem de férias. Se vocês puderem ir, seria uma honra receber os melhores jogadores de futebol do nosso colégio. – ela pegou uma mecha do cabelo de Roger e o enrolou no dedo indicador, parecendo rapidamente animada, solta.
- Faremos o possível...
- Roger!
Roger me olhou, ainda querendo gaguejar mais merdas do que já gaguejara. Lilin também afiou o olhar na minha direção.
- Tentaremos ir, se tivermos um tempinho a mais. – Ele corrigiu no mesmo instante.
Lilin soltou um gritinho de alegria – não que ela estivesse realmente alegre, estava mais para “presas amarradas” –, estalou um beijo na bochecha de Roger, mandou um para mim no ar, e foi embora com seu requebrado de praxe.
Mas nosso almoço não estava terminado. A maioria dos nossos amigos chegaram e nos bombardearam de perguntas sobre Lilin. Roger me fez o favor de responder a todas elas, e todos disseram que também foram convidados para a tal festa.

~
Não tivemos os dois horários finais da tarde por causa do baile. Ou seja, fizemos o jogo mais cedo. Eu estava meio desanimado, o que fez o treinador gritar ainda mais comigo do que com qualquer outro ser vivo naquele time. Na verdade, passei o dia querendo ficar apenas de reserva – o que estava fora de cogitação para todos -, mas tive que jogar contra minha vontade. Então veio a hora em que exigia o máximo da minha concentração para não sofrer vexame no meio de tantos caras: o banho no nosso vestiário.
Corpos, corpos altos, musculosos, braços fortes e desejáveis. Nádegas, coxas, costas e peitorais suados. Pra dizer a verdade, eu já estava bem mais acostumado àquilo do que antes. Mesmo os pênis ensaboados dos meus colegas já não me faziam imaginar uma alegoria de posições exuberantes. Não tanto, quero dizer.
O treinador entrou na área das duchas.
- Julien, você poderia pegar uma caderneta que esqueci na sala de música? – Ele coçou a cabeça, meio preocupado – Eu estava conversando com a professora Eleonora, e acabei esquecendo-a por lá.
- Tudo bem, treinador.
Saí da ducha ignorando o olhar lacrimoso de John, me enxuguei e me vesti, e depois caminhei com tranquilidade pelos corredores até chegar na sala de música, revestida apenas com dois pianos velhos, algumas cadeiras, violoncelos, violões e flautas jogados por todos os cantos. Nossa escola não era muito talentosa para a música, por sinal. Acendi apenas duas luzes fosforescentes e brancas e logo encontrei a caderneta em cima de um assento acolchoado. Encontrei também o que já esperava encontrar. John abrindo a porta e olhando para os corredores antes de fechá-la e trancá-la.
- Oi John. Tchau John.
John ficou na minha frente, “protegendo” a porta com seu corpanzil.
- John, eu preciso entregar essa caderneta para o nosso treinador. Depois eu falo com você.
- O treinador está meio ocupado agora. Está na diretoria conversando com o coordenador sobre o patrocínio para a nossa viagem para os jogos regionais. Pediu para você deixar a caderneta na sala dele.
Respirei fundo, massageei a testa com minha mão direita, pousei a caderneta em cima do piano mais próximo e sentei num banquinho, juntando as mãos como que numa oração e depois olhando para John.
- O que você quer de mim, John?
John riu.
- Sério que você fez essa pergunta?
Bati a mão na testa.
- John, eu não posso ler pensamentos. Entenda isso.
- Eu gosto de você, Julien. É isso.
- Desculpa, John. Mas eu te detesto.
Acho que fui grosseiro demais. Ele abaixou a cabeça como uma criança repreendida e depois voltou a me encarar com mais seriedade, coisa que eu achava tão estranha vinda dele. Mas naquele momento, me pareceu sincero.
- Julien, eu...
- Não John. Você nada. Eu estou cansado de todos acharem que eu ando a fim de chupar e dar pra todo cara que eu olho, converso ou até mesmo ignoro, até meu melhor amigo. Não vou ficar com você, porque você depois vai contar pra toda escola o quanto eu sou otário e dei minha bunda pra você na primeira oportunidade.
- Julien, me deixe falar...
- John, você é dissimulado até a ponta do seu cabelo. Todo mundo sabe a sua história, todo mundo sabe quem você é e o que você faz. Por que cargas d’água eu teria a imbecilidade de...
Sem perceber, John já estava mais próximo de mim. Ele me ergueu puxando meu braço e me deu um abraço forte, com sua boca colada na minha, e seu pau por cima da calça jeans se esfregando com violência no meu. Eu tentei empurrá-lo por um bom tempo, mas era impossível. John, assim como Roger, era bem mais forte do que eu.
- Pare... Seu... Idiota... – eu implorava, agora sem ter certeza de que eu queria realmente que ele parasse.
- Não – Ele sussurrava em meio a ofegos e suspiros. –... Não consigo mais...
- Pare! – Eu o empurrei pela milionésima vez, e pela milionésima vez ele voou de volta para cima de mim. – Já... Disse... Para... Parar...
John engolia meus lábios com veemência. Serpenteava sua língua no céu da minha boca e me persuadia a fazer o mesmo com a dele. Seu peitoral duro e ao mesmo tempo macio se pressionando contra o meu era mais excitante do que seu sexo enrijecendo entre as minhas coxas. John também era bastante alto, não mais do que Roger, é claro, e tinha uma bunda cheia e musculosa que marcava e apertava em qualquer calça jeans que ele usasse. Seus cabelos eram castanhos e espetados, seu rosto meio retangular, ficava sedutor com o queixo viril que possuía um furinho no meio, sua cabeça era suficientemente proporcional ao corpo, seu pescoço exalava um calor erótico e era esguio e chamativo. Como o treinador, gostava de deixar a barba por fazer – o que, naquele momento, estava me enlouquecendo –, seus olhos eram hazel, e absorviam a cor ao seu redor, sua pele também era meio castanha, um castanho claro e bronzeado. Tinha as orelhas pequenas que se escondiam pela metade nos cabelos. No final, todo o seu rosto era de um homem completo, e seu pau enorme lutando para sair da cueca era a prova viva disso.
Agora completamente vencido por John, tirei minha camisa e ele tirou a dele. Afundei meu rosto no seu peitoral e chupei seus mamilos com vontade, mordiscando-os de minuto a minuto. John me virou e me abraçou por trás, roçando seu sexo por cima da calça na minha bunda, começou a beijar minhas orelhas, fazendo uma trilha de saliva na minha nuca, ombros e depois costas. Quando percebi, ele estava desabotoando meu jeans e começou a beijar meu par de nádegas em cima da minha cueca boxer vermelha com entusiasmo. Arrancou-a com os dentes e afundou a língua entre as minhas pernas, penetrando-a dentro de mim e depois puxando minhas bolas com a boca agressivamente, o que me desimpediu de gemer alto, e me obrigou a morder meu braço para não nos descobrirem. Meu pau já pulsava enlouquecidamente enquanto era segurado com consistência pela mão grande de John.
- Ahh... Isso... Lambe minha bunda, cara... – eu rebolava enquanto ele desocupava a palma da mão para bater na minha pele e segurá-la com beliscões impulsivos.
Em poucos minutos eu já estava suado, pelo ambiente abafado da sala de música, e com John a situação não era diferente. Ele me puxou de novo e eu abocanhei seu peitoral uma vez mais, para descer com a língua pela sua barriga dura e respirar fortemente na sua calça, desabotoando-a como se eu fosse um morto de fome e alí, embaixo daquele jeans todo, existisse um alimento que pudesse me saciar.
Sua cueca era normal, branca e pequena, o que me fez ter o prazer de arredar seu pênis grosso e vantajoso para o lado e metê-lo na minha boca com voracidade, ao mesmo tempo em que pressionava e puxava seu saco escrotal volumoso com as minhas duas mãos. Peguei seu pau pela base e fiz círculos com a ponta de língua naquela cabeça rosada, em forma de cogumelo, e que derramava o pré-sêmen deixando-o ainda mais suculento.
- Chupa minha pica com força. Ahh... Ahh...
Eu conseguia engolir até a metade, o que não era problema algum para John. Ele empurrava minha cabeça pela nuca com força, fazendo a cabeça do seu pau bater na minha garganta e me deixar engasgado com a minha própria saliva. Comecei a massagear sua bunda tão grande e apetitosa quanto a parte da frente, que enchia as minhas mãos com facilidade, ele rebolava em cima de mim enquanto eu umedecia dois dedos para penetrá-lo. Ele não reclamou, deixou que eu enfiasse com carinho e passasse-os envolta do seu orifício. John me deitou e ficou de quatro em cima de mim, fodendo minha boca com mais vontade. Eu já estava no terceiro dedo.
Cansado das minhas mãos e da minha boca, ele se ergueu, me deixando respirar um pouco, para me deixar sem ar novamente. John ficou de quatro na minha frente, enquanto eu passava uma camisa na minha boca toda melada e exausta. A visão da sua bunda aberta e convidativa me fez ter o trabalho de colocar meu coração de volta na minha caixa torácica, pois estava batendo em minhas mãos.
- Me fode, Julien. Enfia com força, sem pena. Eu não aguento mais.
Ele ficou mexendo os quadris como que dançando, me ajoelhei atrás do seu corpo esbelto, passeando as mãos nas suas costas lisas, rígidas, bronzeadas e suadas, até chegar no seu par de nádegas, alí, apenas para mim. Duvido que naquela hora eu estivesse num estado de consciência completa.
Cuspi na minha mão e passei no seu cu, fitando-o até ter certeza de que estava bem úmido. John uivava e lambia o próprio braço, preparando-se para mordê-lo, e depois olhando de canto-de-olho para mim, com o cenho franzido. Se ele não estivesse de quatro, sua expressão bem poderia se passar por aquela de cristãos implorando por dinheiro e prosperidade em igrejas ambiciosas. Ele estava miando pelo meu pau, pela dor, pelo sentimento de invasão aguda e insuportável no seu corpo.
A porta ressoou um barulho, alguém a estava batendo pelo lado de fora. Reconhecemos a voz do treinador.
- Julien! Julien! Você está aí?
Caralho!
John e eu nos levantamos num pulo. Buscamos nossas cuecas e calças, e num minuto já estávamos vestindo nossas camisetas e abotoando nossos jeans. Busquei a caderneta em cima do piano e abri a porta com a maior eficiência possível. Claro que esquecemos do suor pingando nos nossos corpos, molhando nossos rostos e roupas, e daquele odor característico do homem depois de uma boa foda.
- Julien, até que – a voz dele morreu quando viu nosso estado deplorável, os chupões nos nossos pescoços e o banho de água salgada. - ...Enfim. Você achou a caderneta?
- Sim, aqui está ela, treinador. – eu dei um sorriso amarelo e ergui os ombros.
O treinador nos olhou por mais um longo minuto, direcionando o olhar ora para mim ora para John, depois foi embora. Virei-me preocupado e John fazia uma cara de paisagem, cômica, o que me fez rir diante de toda aquela situação, e ele também.

~
- Julien, pra quem você andou dando?
Ignorei a pergunta e continuei concentrando em quebrar a cara de Roger com meu Sub-Zero no Playstation 2.
- Não vai contar para o seu melhor amigo? Olha... Suponhamos que esses chupões no seu pescoço não sejam nada discretos...
- Quando eu estiver com vontade, eu conto.
- Fala logo, porra! – Sheeva arrancou a cabeça do meu guerreiro, e cuspiu o crânio pela boca, depois de quebrá-lo todo com seus quatro braços.
Depositei o controle na mesinha a nossa frente e Roger fez o mesmo, olhei para o lance de escadas para constar que não havia nenhuma Claire mexeriqueira ouvindo nossa conversa e só então falei.
- Transei com John.
- O QUÊ? – Roger quase pulou do sofá.
- Se acalme, imbecil!
- Mas... Mas John...?
- Deixe-me terminar, depois você fala.
Ele assentiu nervosamente.
- Bem. Isso foi há exatas duas horas atrás. O treinador me pediu para buscar uma caderneta que ele havia esquecido na sala de música, e John me seguiu. Quando eu tentei sair, ele não deixou, e começou a falar que gostava de mim e tudo mais. Eu recusei e dei vários foras nele, mas parece que não adiantou. Ele meio que me forçou a beijá-lo, e eu tentei, tentei muito resistir, mas...
- Porra cara, você pega o maior filho da puta daquela escola?
- Eu sei, Roger...
- Sua reputação tá no ralo, Julien.
- Roger eu...
- Cara, como você deixou isso acontecer?
- PORRA ROGER! Me deixa falar!
- Fale. – Roger cruzou os braços.
- Não aconteceu... Bem... Tudo. Se você me entende.
- Você só pagou um boquete nele?
- É, também, e teve um pouco mais. Só que não foi o “pacote completo”, porque o treinador nos interrompeu.
- Ele flagrou vocês?
- Digamos que sim. Mas não foi no ato, foi depois. Só que pelo nosso estado, estava na cara né...
- Caraaaaca meeeu...
- Você acha que ele vai nos tirar do time por causa disso?
- Tá maluco? É claro que não! John é a melhor defesa que temos!
- É verdade, mas eu tô preocupado.
- Com o quê?
- Não sei. Acho que é um sexto sentido gay...
Roger permaneceu sério por mais vinte segundos, até cair numa gargalhada estridente.
- Dá pra vocês pararem com a bagunça aí embaixo? Eu tô tentando estudar! – Claire gritou do alto da escada.
- Ninguém estuda fazendo chapinha, Claire! – Roger respondeu.
- Vá tomar no cu!
- Se eu te dissesse que é seu irmão que gosta disso... – Ele falou agora mais baixo.
- Claire, que palavreado é esse? – minha mãe entrou esfregando os sapatos de salto no assoalho de entrada, tirando-os logo depois. – Roger!
Roger pulou do sofá e abraçou mamãe com empolgação. Ela parecia uma menininha perto daquela montanha de músculos – e hormônios.
- Por que vocês ainda não estão arrumados? – ela perguntou, sendo mais afetuosa com meu amigo do que comigo. Para ela, Roger ainda era um garotinho atarracado que vivia com os joelhos ralados e adorava puxar a cauda de gatinhos melindrosos. Que irônico. Não era Roger agora quem puxava o rabo de certos gatos.
- Que horas são? – Perguntei, arregalando o olhar.
- Cinco e meia. – Ela constou olhando o relógio de pulso. – Que horas vocês marcaram com as acompanhantes de vocês?
Roger e eu nos entreolhamos.
- É... Sete horas.
- Ainda há bastante tempo, homens se arrumam mais rápido. Mulheres precisam se montar. – Mamãe deu um tapa na bunda de Roger. – Roger, vá buscar sua roupa, eu a passo para você.
Uma pequena observação: Roger morava com o pai.
Outra pequena observação: o pai vivia bêbado e fumando mais do que uma chaminé.
E uma última observação: mamãe também cuidava de Roger, de certa forma, porque ele morava mais aqui do que lá.
Um P.S.: Roger era o protótipo de filho que ela queria, pelo menos durante as minhas observações. Mas talvez estivesse enganado. Roger era facilmente amável, e ele vinha comer e dormir aqui em casa desde... Desde sempre, oras!
- Vou indo e volto logo. Até, Julien. Tchau sua chata! – ele gritou para a porta após o lance de escadas.
- Vá à merda! – Claire gritou do seu quarto.
- Claire! – Mamãe fez uma expressão indignada. – Depois teremos uma conversa, mocinha! Venha, Julien, vou ver se o terno que peguei é mesmo do seu tamanho.
Me levantei do sofá e fui para o quarto de mamãe. Tirei minha camisa regata e vesti a camisa social preta que ela comprara para mim, e o terno cheiroso que ela alugara, da Armani.
- Julien, você não para de crescer não? – Ela riu. Aquela risada sonora e materna que toda mãe no seu ataque de nostalgia dá.
A camisa ficou um pouco marcada no meu peitoral e mais ainda nos meus braços, mas confortável mesmo assim. A calça social, mesmo sendo do meu tamanho, se apertou na minha bunda e nas minhas bolas. Mas o terno preto e bem passado deixava tudo discreto e... Retangular. Nossa! Agora eu parecia um retângulo preto na frente do espelho.
Mas um retângulo atraente, eu acho.
- Você está lindo! – Mamãe sorriu outra vez.
- Bem, mãe, eu vou pro meu quarto agora...
- Não.
- Não?
- Não.
- Por quê? Foi a Claire quem acabou seu cereal light...
- Julien, não é sobre cereal ou qualquer outra coisa que eu quero falar. Quero conversar sobre você. Venha, sente-se aqui ao meu lado. – Ela acolchoou o espaço na cama à sua direita, convidativa.
Como um cachorrinho de orelhas baixas, me sentei. Ela me fitou um pouco e só então se preparou para falar mais séria.
- Julien, você está namorando, “ficando” como vocês jovens dizem, ou coisa assim?
- Não, mãe.
- Está transando?
- Sim. – Abaixei a cabeça. Era constrangedor conversar sobre aquilo com mamãe.
- É com a sua companheira do baile?
Balancei a cabeça. Não.
- Não é uma companheira, mãe.
- É um garoto?
Assenti.
- Julien. Você não precisa se preocupar comigo, eu sou sua mãe. Você precisa se preocupar com os outros. Existem muitos garotos da sua idade que são maldosos demais para serem chamados de seres humanos, e nunca serão pessoas de caráter, de respeito, tampouco de personalidade. Só peço que tome cuidado com eles.
Assenti de novo.
- Você não vai me falar nada?
- Não sei mãe. Acho que estou bem.
- Está mesmo?
- Sim.
- E esse garoto?
- Ele é legal. Mas não sei se posso confiar nele. Quando disse que gostava de mim, parecia estar sendo sincero.
- Só parecer não é o suficiente, Julien. – ela afagou meu cabelo, e então suspirou – Não se entregue para qualquer um.
Não queria dizer que já havia me entregado, então apenas dei um beijo na sua bochecha e subi para o meu quarto. Eu não era mais virgem desde os quinze anos, e Deus sabe os lugares mais exóticos pelos quais a minha língua já passou...
- Tia Amy! Meu terno está aqui! – Roger voltou, espaçoso e escandaloso como sempre.










Black Cherry, ou Andrew Oliveira...

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