Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

domingo, 17 de junho de 2012

Elope, Prólogo



Belial levantou do sofá e correu para o banheiro, seu corpo se contraía e sua ânsia de vômito estava maior, suas mãos suavam frio e seus pés quase poderiam escorregar no piso do apartamento. O quarto vazio parecia turvo, desfocados como uma pintura esfumaçada que, apenas se vista de longe, poderia-se ver o detalhe maior. Abriu a estante e a bateu com força, o espelho rachou mas ele conseguiu os comprimidos. Seus dedos tremiam como se tivessem vida própria, e seu coração dava saltos horrendos dentro do peito, e ele primeiro teve que rasgar sua camisa até sentir que estava respirando, que deveria agora tomar alguns comprimidos.
Sua pele também gotejava, os poros estavam tão detalhados que agora ele bem poderia contá-los. Seus olhos, seus olhos que não paravam de piscar, seus olhos ocultos por grandes cílios e morando debaixo da ponte castanho-clara que eram suas sobrancelhas, mas não mais clara do que seus cabelos louros e desbotados, não mais vívida do que seus lábios pequenos e rosados, ou mais sútil do que o furo no seu queixo e o nariz aquilino, o pescoçoso sinuoso, a pele branca, um branco de papel, não aquele branco comum e meio róseo, ou aquele amarelado, mas um branco verdadeiro, urgente, como um boneco de pele mais bem moldado.
O telefone tocou mas ele decidiu não atender, a campainha insistiu mas ele preferiu ignorar. Trancou a porta do banheiro, sentou no piso, ergueu-se dele, lavou as mãos, lavou-as de novo para ter certeza. Era manhã, e por que estava tão escuro?
Era a hora das sombras.
Então ele tinha que tirar as roupas, e purificar o seu corpo. E talvez sendo purificado, as sombras fossem embora. E talvez purificado, as sombras se empalidecessem, e se refugiassem na brancura da sua pele. E purificado, as sombras se transformassem em texturas do que os seus olhos não viam, não queriam ver, mas estava lá.
Era a distância do seu corpo para a sua alma, a sua alma estava no fundo de uma gaveta que não era aberta há tempos, e muito provavelmente ninguém teria tamanha coragem de ir às cegas procurar uma gaveta que não era certa que existia.
Era a fuga dos seus olhos que impossibilitava qualquer um de tocá-lo.
Deitou-se na banheira e comprimiu as portas para o mundo. E se forçasse mais um pouco, suas pálpebras virariam cinzas.
Onde ele estaria agora?













Andrew Oliveira

4 comentários:

  1. É um prólogo meio confuso, achei, mas a descrição é muito boa, o que me faz querer desvendar essa confusão lendo mais. ^^

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