Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bruxas, Black Cherry e Florence + The Machine


Olá povo anônimo, invisível e imaginário que acompanha o meu blog, como vão? Eu vou bem, muito bem e satisfeito, obrigado. Quer dizer, não exatamente satisfeito porque ainda vai ter uma aventurinha em maio que já está me preocupando mais do que a minha faculdade. Eu sei, estudos em primeiro lugar, mas comecemos do começo.
Meu fanatismo por música alternativa é latente aqui nesse meu blog lindo, caprichado, mal escrito e flopado. A começar por Björk – a quem eu não considero um ser humano, e sim uma deusa –, Florence + The Machine, Goldfrapp, iamamiwhoami, Austra, Bat For Lashes, Emilie Simon, Kerli, Lykke Li, Robyn, Röyksopp, The Golden Filter, Fever Ray, entre tantos outros... Claro que também curto um bom pop, e quem não? Tenho na minha playlist Madonna, Pixie Lott, Jessie J e até as mais farofas como Britney e Nicki Minaj, sdahuashsau’. Mas ok, vamos ao ponto de partida desta minha nova aventura.
Em outubro de 2011 foi anunciada a vinda da banda Florence + The Machine ao Brasil. Particularmente, nesse meio tempo eu havia torrado minhas economias em livros e livros até meu guarda-roupa (saudades dele /cry) estourar. Mas sem gastar o dinheiro pra importar o Biophilia, novo álbum da Björk, e começando a juntar pra importar o Ceremonials, novo álbum da Florence, tudo de uma vez. Chegou novembro e eu ainda não tinha a grana pro ingresso, então resolvi abdicar destes dois CDs por um bom ingresso premium em São Paulo. Veio o primeiro obstáculo: não dava pra comprar por boleto bancário (a única forma que eu compro pela internet), só por cartão de crédito. Ok, pedi do papai e ele me cedeu seu cartão, eu daria o dinheiro pra ele assim que comprasse. Mas então, pra quem não sabe (e quem sabe???), eu estava preocupadíssimo com minha nota em Física na escola, que poderia me aprovar ou reprovar de ano, tendo ainda como ponto essencial minha viagem pra Minas Gerais cursar Cinema e Audiovisual por aqui (vou começar semana que vem gente, dia 06 de fevereiro, todas caloura grita LOL). Em suma, eu tava suuuuuper hiper mega estressado e tenso, além de profundamente desesperado de agarrar minha vida em Macapá nas mãos. Esclarecendo duas coisas:
01 Eu detesto Macapá pelo calor, pelas pessoas pequenas e mesquinhas, e por lá não ter Lojas Americanas.
02 Eu amo Macapá porque lá está minha história, as pessoas que eu amo, minha família, e uma vida que construí ao longo de 17 anos. Macapá é, querendo ou não, minha origem, e felizmente ou infelizmente não posso esquecer disso.
Enfim. Nessa Depressão feat. Empolgação eu acabei por esquecer de comprar o ingresso premium pro Summer Soul Festival em São Paulo. Chegou dezembro, tive várias despedidas (mentira foram só duas), arrumei tudo às pressas, viajei com vovó, me livrei de Macapá pra sempre, cheguei em Minas, fui recebido com sorriso e chuva, e ainda não havia me tocado de que já estava abandonando uma vida inteira por uma a qual até agora não sei se vai dar certo. Resumindo: por ora, nada de Florence + The Machine.
E a situação foi piorando... Com minha mudança recente, acabei tendo de arcar com vários gastos: entre eles, meu esquecido dinheiro pra esse ingresso. E lá vem janeiro, e lá vem aquela minha pequena e desgastante aventura de ano novo. Até que, num domingo antes de chegar a última semana para o show em São Paulo, eis que a Florence dá uma entrevista para o Fantástico (não me julguem, eu não acompanho, vi pelo facebook tá ok?), tudo bem que a entrevista foi sofrível, durou um minuto e meio e mais um minuto e meio mostrando os vídeos dela, nada de muito alarmante, etc etc. Mas isso me causou uma devastação tamanha, uma frustração sem fim, que resolvi dormir cedo.
Pela segunda feira de manhã dou uma passeada pelo centro de Sabará, que por sinal é um lugar que simpatizei muito, sobretudo a padaria Villa Real, delícia. E foi aí que a luz surgiu. Tipo assim, do nada mesmo. Estava na parada de ônibus mordiscando um canudo e ouvindo Shake It Out e me deu uma sensação de que ainda não tava perdido, de que ainda havia tempo para eu me preparar e ver esse show, de que eu deveria sim correr atrás nesta última semana e fazer o possível e impossível para chegar ao bendito Summer Soul, esperar as primeiras apresentações e ver minha bruxa ruiva humilhando todo mundo naquele festival com sua voz de trovão.
Segunda feira converso com a minha mãe sobre a passagem de avião, terça feira consigo uma amiga pra me ajudar e me guiar em São Paulo a indicação de outra grande amiga, quarta feira consigo a passagem, a reserva num albergue, confirmo tudo com essa amiga de São Paulo, e quinta feira já estou a ponto de bala. Falando agora parece que tudo isso foi simples e fácil, dependendo apenas da internet e de ligações, além de ajuda. Sim, dependi e MUITO de ajudantes e do bom coração alheio, mas isso tudo foi uma dor de cabeça enorme e acho que eu nunca fiquei tão apreensivo e tenso quanto fiquei nessa semana pré Florence + The Machine.
Enfim segunda feira dia 23 chega, um dia antes para o show e o dia para viajar. Saio de Sabará, pego um ônibus na rodoviária do centro de Belo Horizonte e espero exatamente uma hora até chegar ao Aeroporto Internacional de Confins, chego lá umas 16:00 e já faço o check-in, mas sem precisar de despacho de bagagens (estava só com uma mochila, primeira viagem minha só de mochila ai que emoção <3), vou para o local dos Portões e espero dar 18:00. Seis e cinco eu embarco, 19:20 pouso no aeroporto de Guarulhos em São Paulo e já saio as pressas de lá. Pego um ônibus, chego na Rodoviária do Tietê, de lá pego um táxi, e enfim chego na Vila Mariana, Rua Eça de Queiroz, São Paulo Global Hostel. Confirmo minha reserva, janto alguma coisa e fico no quarto em que minha cama foi reservada pela internet. Durmo lá pelas onze, acordo uma meia, tomo um banho, durmo de novo e acordo cinco e meia da manhã. Pela falta de sono e nervosismo em excesso, resolvo usar o computador que eles disponibilizam por lá e converso com meu amigo Louie até dar sete da manhã e eu ir tomar mais outro banho e me arrumar. Minha amiga (vou usar um apelido, pois não sei se ela vai me permitir usar seu nome aqui nesta postagem, então né, melhor respeitar) Kelz marca comigo de nos encontrarmos na Praça Liberdade, confirmo e pego um metrô na Estação Paraíso. Chegando lá, também conheço uma outra amiga dela que veio do norte, e por aí passamos a manhã andando na 25 de Março, comendo e conversando. Chegando meio dia, pegamos um metrô para irmos ao albergue da amiga da Kelz, deixo minha mochila e meu celular lá e fico só com minha camisa social para o caso de sentir frio. Pegamos outro metrô pra chegarmos no Tietê, depois a amiga da Kelz pagou um táxi e corremos pro final da fila do Summer Soul Festival.
Esperar, esperar, esperar. Foi exatamente o adjetivo ideal pra esse dia. Desde a manhã eu estava cantando No Light, No Light e Cosmic Love loucamente ruas de São Paulo afora, o que deixava minha amiga ainda mais tensa e nervosa, querendo apenas esquecer que dali a dez horas ela veria Florence + The Machine comigo. São Paulo, lembrando, é uma loucura orgânica mais inconstante e apressada do que qualquer coisa que eu já tenho visto/sentido.
E pensar que em 2011 eu mal imaginava estar alí, na verdade, me era impossível a ideia de alguma vez na vida ver o show dessa banda tão... Tão surreal. Em 2011, logo no começo, eu não sonhava com nada disso, eu estava conformado com uma vida morna e mais ou menos em Macapá cursando Artes Visuais na Unifap, chegando em casa sete da noite, comendo, escrevendo e lendo um pouco, dormindo, acordando de madrugada pra baixar músicas, dormindo de novo, acordando, tomando café, almoçando, tomando banho, indo pra Unifap, voltando sete da noite, fim... Mas não me leve a mal, como disse, eu amo e odeio Macapá por uma gama de motivos, problemas e não-motivos. Na verdade até hoje eu não entendo muito bem o que sinto por esse lugar, exceto por nela estar a minha casa, meu quarto, a árvore na frente da minha janela que eu tanto amava e que um tempo depois foi cortada pelo vizinho. Na verdade até o sol na minha janela, meu guarda-roupa entupido de livros, DVDs, CDs, mangás, fotografias, coisas e mais coisas, minhas paredes rabiscadas por eu mesmo e...
Ok, devaneei demais, mas voltando à aventura, 16:20 os portões se abriram e a fila começou a andar. Por alguns problemas técnicos eu entrei só depois, mas de qualquer forma também consegui um lugarzinho na grade, em que dava pra ver tanto o telão quanto o palco.


18:55, aproximadamente, chegou a Dionne Bromfield, afilhada da Amy Winehouse, e primeira atração do Summer Soul Festival. Cantei com ela, dancei com ela, gargalhei com ela, uma fofura em pessoa, se querem saber, e as músicas dela são tão ótimas quanto a própria. Curti tanto o show que nem vi o tempo passar, e logo, abrindo sua apresentação com um cover de Nancy Sinatra, Shot Me Down (pra quem não sabe, é a conhecida música que toca no comecinho de Kill Bill Vol. 01, depois do Bill dar um tiro na cabeça da Beatrix Kiddo essa linda.), vem a forte, sensual e maliciosa Rox. Uma voz potente que mantém agudos, graves e gemidos soltos na medida certa, outro show suculento que me divertiu, me instigou e me fez pular uma boa parte do tempo. Pra dizer a verdade, a espera pela Florence ficou lá no meu âmago e eu acabei esquecendo um pouco quando essas duas cantaram.
Um pouco antes, eu pedi um lugar emprestado de uma fã que ansiava por Bruno Mars, expliquei pra ela que depois do show da terceira apresentação eu iria embora, e do lugar em que ela estava eu veria melhor a banda que eu queria curtir de fato. Ela me cedeu gentilmente e ficou a esperar. Desde então, passei a ver melhor o palco e a Rox cantando sua última canção do começo daquela noite.


A espera voltou latente e insuportável quando a Rox saiu e os funcionários do palco trouxeram aquela harpa gigantesca do Tom Monger, o harpista da banda, e depois a bateria do Cristopher Hayden, o teclado imenso de Isabella Summers, e meu coração já tava dançando em cima da minha cabeça.
Bem, eu morri mesmo quando o Rob, o guitarrista alto, branquelo, fofo, tatuado e lindo entrou (tá, vamos pular a parte do baixo do Mark Saunders porque eu só prestava atenção no Rob), e os acordes de Only If For A Night começaram a crescer, e os flows espalhados na multidão de fãs de Bruno Mars vibrando e gritando e chamando pela deusa ruiva. E a deusa ruiva apareceu.

“And i had a dream,
About my old school
All pink and gold and glittery
I threw my arms around her legs
Came to weeping… Came to weeping!”

Então vocês tentam imaginar o quanto eu pulei e gritei, na verdade nessa hora quando ela chegou eu já estava cantando junto, tava pouco me lixando para os fãs sem graça do Bruno Mars com cara de “who” durante o Festival inteeeeiro (detalhe né, isso é um festival de música, não gosta das apresentações, tenho uma palavrinha: NEXT), já havia esquecido a dorzinha de cabeça, a sede, a fome, a dor excruciante nas pernas por ter passado o dia inteiro de pé sem descanso. Mas ver aquela mulher alí, ao vivo e a cores, pulando, gritando, sentindo a voz dela, nada no mundo importava mais pra mim a não ser admirar a sua arte, a sua voz, a sua beleza, a sua banda, sua música, nada.
E a sessão de pulos ainda não havia acabado, mas a sessão de gritos estava só começando. Ela veio dessa vez com What The Water Gave Me, a primeira música que vazou do Ceremonials e o primeiro single que saiu, e como disse Florence: “um soul mais pesado”, e é. A música tem um andamento já marcante, e alcança seu ápice nos últimos dois minutos, com a Florence fazendo brincadeiras desafiadoras com suas tonalidades, e levando em consideração a guitarra mais forte e presente do Rob nessa música, a harpa do Tom. E falando em harpa, ela permeou por um bom tempo até uma vibração conhecida na minha vida no final de 2009 e em boa parte de 2010 começar.
Sim, o batimento cardíaco era o prelúdio para a canção que tanto me marcou, tanto me definiu, tanto me emocionou. E lembro de que quando saiu o vídeo, com aquele jogo de luzes e caleidoscópios e folhas de outono sobre um fundo escuro, e aquele final tão cheio de significados quando a Florence tira seu coração e o transforma numa estrela, eu simplesmente me arrepiei e nem havia percebido que estava chorando.
A harpa passou a ir e voltar, como se o Tom estivesse brincando de tocá-la em vez de estar tocando-a de verdade, e eu soube, eu soube desde o início. Cosmic Love, a que tanto orei para que tocasse, estava começando, e a Florence já a interpretava, anunciando, proclamando aquela poesia tão forte, tão sagaz, tão especial e mais perto do sublime do que qualquer outra canção da banda.

“A falling star fell from your heart
And landed in my eyes,
I screamed aloud, as it tore through them,
And now it’s left me blind….”

Mas o melhor não foi isso. Lembro que em 2010 eu assistia a apresentação de Cosmic Love no Festival Glastonbury deste mesmo ano com fé e até obsessão, o agudo que esta mulher faz no final da música dando um toque em especial na versão ao vivo me encantava como me deixou sem voz quando ela fez o mesmo e ainda mais prologado no show que eu estava assistindo. É aquele momento em que você fala: agora posso morrer em paz.
É claro, tinha ainda muito mais para acontecer, e a próxima foi You’ve Got The Love, quase que idêntica à apresentação no Glastonbury, mas com certeza não dá pra comparar você ouvindo e vendo pela internet e você ouvindo e vendo ao vivo. Infinitamente mais forte e marcante, de fazer secar até a última lágrima do seu estoque de emoções.
Então veio uma pequena pausa, meus músculos já estavam implorando por descanso, já estavam quase falando para eu parar de pular igual uma gazela no festival senão seria capaz deles se desfiarem alí mesmo. Eu já estava no meu limite, mas sinceramente, eu não estava sentindo nada disso, a dor se tornou uma lembrança distante perto do que eu estava realmente me dedicando a sentir. Florence começou a cantar à capella (outro desejo meu que se tornou realidade) uma canção de uma grande artista, Etta James, e a canção era Somethings Got A Hold On Me, que tem uma pegada mais agitada do que a lamuriosa e já clássica At Last, mas na voz da bruxa ruiva se tornou uma canção tão angustiante quanto. Etta James e Florence + The Machine numa cajada só, é pra chorar não é?
Sim, realmente, Never Let Me Go veio pra espremer seus olhos e pálpebras, levantar seus braços, cantar junto, cantar lento, sentir os gritos no coração, e depois acalmá-lo e acalentá-lo com Between Two Lungs, de uma forma que você não pode explicar, porque é impossível explicar, é impossível colocar um adjetivo, é impossível descrever a sensação dessas canções sendo cantadas pra você, como se a Florence estivesse do seu lado com um sorriso e um abraço caloroso lhe pedindo licença no sofá para começar a ritmar e cantar e chorar também e olhar nos seus olhos e...

De início, quando Shake It Out vazou e eu baixei, apenas simpatizei e a achei muito bonita, não havia dado a devida atenção, realmente, embora escutasse de vez em quando, dando mais espaço para What The Water Gave Me e na espera de todo o Ceremonials vazar, em vigília direta na internet. Mas veio o primeiro sentimento de ligação quando o vídeo saiu, com elementos simples que se tornaram preciosos, repletos de esplendor e de uma magia a mais: eternidade.
Shake It Out é uma das pouquíssimas músicas atuais que permearão por gerações na história da música não por singles vendidos ou Florence vendendo seu corpo pra ter o mínimo de atenção, mas por ter seu valor ressaltado, seu significado, sua relevância na vida daqueles que a apreciam.
Mostrei o vídeo para minhas melhores amigas, e elas ficaram tão profundamente tocadas e apaixonados quanto eu. Acabou que em novembro e dezembro se tornou nossa música, por tudo que passamos juntos em 2011, por toda a dor que suportamos, nos definimos nesta canção juntos.
Na virada do ano de 2011 para 2012 eu passei exatamente meia hora ouvindo essa música como se ela tivesse todos os minutos do mundo na Lagoa da Pampulha, vendo os fogos, sozinho, rindo e chorando ao mesmo tempo. Alí estava minha nova vida, boas vindas para ela. E lá estava Florence Welch pulando, chamando pelas palmas e acenos do público, rasgando a voz com Shake It Out...
E o que eu tenho a dizer de Dog Days Are Over além de que ela fez exatamente igual como fez no Festival Glastonbury 2010? Nos pedindo para pular depois dela, cantar o refrão, ficar em silêncio no momento do clímax, e os flows cantando também. Tudo tão lindo, tão como imaginei que seria. Acho que Dog Days foi mais ou menos como o resumo desta noite, pois nela eu pulei, chorei, gritei, ri, cantei, tudo ao mesmo tempo. Dog Days Are Over já tem o poder assustador de tirar você da fossa, dá pra imaginar ao vivo? Até eu não consigo acreditar que presenciei tudo isso... E a Florence pulando com a bandeira do Brasil? Mandando corações para os fãs?
COMA.
Eu já estava quase entrando em coma, de fato, mas me contive, pois depois veio uma das canções mais pagãs da banda, Rabbit Heart (Raise It Up), uma música que oscila entre o sofrimento, a mágoa e a redenção. Tenho algumas análises para essa letra, mas é melhor deixar para depois, porque não há poder que defina Spectrum e não há criatura viva que tenha capacidade de sobreviver dos gritos da Florence em Spectrum, uma das canções mais soturnas e causticantes do Ceremonials depois de Seven Devils.
E o gran finale... Imaginou? É essa mesma, a que fiquei a manhã inteira cantando nas ruas de São Paulo, mais especificamente na 25 de Março, e irritando minha companheira Kelz que só queria esquecer que breve veria sua também deusa ruiva Florence. No Light, No Light. Uma canção que narra um amor mórbido, obsessivo, desesperado, inalcançável, a mais pura essência de Florence + The Machine voltando com uma força à altura do seu antecessor álbum Lungs. Eu senti uma lacuna imensa no meu coração quando ela disse “the last song” antes de começar a arrebentar a voz com No Light, No Light e... Nossa, foi o momento mais surreal da minha vida quando ela segurou um grito que durou bem uns 15 segundos ou mais, eu realmente não sei, não fiquei vendo num cronômetro pra avaliar porque estava ocupado demais chorando, gritando junto e pulando até o limite e o não-limite das minhas últimas forças humanas e sobre-humanas pra acompanhá-la, meu cordão de metal Florence + The Machine balançando no meu peito, meu suor, minhas palmas ardendo, minhas pernas sentindo lâminas atravessadas nelas, meu corpo necessitando de um gole d’água. Quem vai se importar com isso quando Florence + The Machine está se apresentando na sua frente e a vocalista flutuando e dançando como uma verdadeira deusa e trovejando sua voz a quilômetros de distância? Quem?
Devolvi o lugar para a simpática fã do Bruno Mars e procurei pela minha amiga. Sem sucesso, peguei um metrô até chegar na estação Paraíso.
Voltei para o albergue em que eu estava instalado na Vila Mariana em catarse, já estava dando uma da manhã, mas só consegui dormir às quatro e meia. E o que há mais para falar? É este o fim da aventura, uma aventura que, mesmo depois de uma semana, não acredito que aconteceu.
Que venha a próxima turnê, minha bruxa ruiva, minha filha de Björk favorita, não há nada nesse mundo que não fará de você uma artista imortal, porque você nasceu para a arte, e tenho certeza que tocará o coração de tantos outros artistas como tocou o meu. Tocou não, arrancou, acalentou sobre seus seios e nos seus braços, cantou para ele se acalmar. Foi isso que você fez.











~







Black Cherry & Andrew Oliveira

3 comentários:

  1. looooga hemmm rrsr mas sei como é um dia inesquecivel a gente não quer deixar só na memoria.

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  2. Ai meu Deus, senti a emoção de estar lá, só de ler... *-*

    Inveja profunda, agora é lutar pela Björk e ter uma experiência parecida KK

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  3. Florence foi maravilhosa em Florianópolis. Fiquei paralisado nas quatro músicas iniciais. Só fui me tocar disso quando começou a tocar You've Got The Love. Chorei, explodi, pulei e nunca mais me contive.
    Mal podia crer que ela era real...demorou pra ciar a ficha.
    No fim do show deu uma dorzinha no coração. Vontade de ter mais e mais.

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