Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

domingo, 15 de maio de 2011

Vidro - Capítulo 4


Era sábado. Fazia uma semana que Inverno não ia para a escola. Enquanto isso, Thomas, o louro bronzeado, já vestia sua cueca novamente, com o sexo melado e o rosto brilhando de suor e êxtase. Inverno escovava os dentes, a manhã em Veraneio estava cheia de sol.

- Juro que vou à falência se continuar vendendo desse jeito pra você, mas... UAU!

- Vá embora. – Disse Inverno, e Thomas assentiu, colocando um frasco no criado-mudo de Inverno.
Thomas partiu, Inverno buscou uma seringa na gaveta de camisas do guarda-roupa, tirou-a do plástico, e sugou o líquido no frasco com ela. Depois, pegou uma liga e a amarrou no braço perto da axila, sentou-se na cama e injetou a droga. Em pouco tempo, aquele prazer e frenesi o invadia novamente, aquecendo seu corpo e deixando-o excitado como nunca antes, fazendo-o esquecer do mundo, e quase se esquecer de Jezebel.

Jogou tudo no lixo e abriu e porta do quarto. E na escada, se encontrou com sua mãe. Tinha os cabelos negros e meio cacheados como os dele, e os olhos azuis eram mais claros, a face jovial.

- Era seu amigo, filho? – Perguntou, com afeto.

Mas Inverno a ignorou, estava suando frio e resolveu sair de casa. O sol entrou como fogo nos seus olhos, e seu coração acelerou como o de um coelho ansioso. Mas o sol não era o único visitante naquele sábado. Lá estava Jezebel, fitando-o num misto de espanto e tristeza.

Inverno girou os calcanhares, mas ele o puxou pelo braço.

- Por que você está faltando nas aulas? O que está acontecendo com você?

Invernou abaixou o olhar, e fitou a grama na frente da sua casa. Jezebel ofegava.

- Quem era aquele cara?

- Não era ninguém.

- Não era ninguém? E por que você está assim? Está passando mal? Sua cara está péssima!

- Eu estou bem. Isso não é nada.

- Você não está bem... parece até que está usando alguma droga.

Outono borbulhou em Inverno. Um vulcão ininterrupto.

- E O QUE ISSO TEM HAVER COM VOCÊ?

Jezebel o esbofeteou.

- Eu me importo com você – disse, com a testa franzida de melancolia, num quase-choro.

- Uma pessoa como você nunca se importaria comigo. – Balbuciou.

- Pare com isso! Você não pode dizer o que eu sinto. – Sussurrou.

- O que você sente não me afeta agora. – Isso era mentira.

- E o que te afeta? O que eu posso fazer por ti? – Sussurrou novamente.

- VOCÊ NÃO PRECISA FAZER NADA! EU NÃO TENHO NECESSIDADE DE VOCÊ! – Esbravejou confuso, e depois desabou na nova mentira.

Uma pontada de dor invadiu o braço de Inverno, como pequenas lâminas mortais passando pelas suas veias. Ele perdeu a respiração, e caiu de joelhos no chão. Segurou o braço esquerdo com força, lacrimejando e tentando gritar. Um filete de pus saiu da ferida que ele causara com a agulha, e finalmente conseguiu extravasar o lamento.

Jezebel o segurou e se ajoelhou ao seu lado, buscando seu braço e assistindo a saída daquela gota suavemente amarelada.

- Por... por que você se fere tanto?

- Não há mais nada que eu consiga fazer. – sussurrou Inverno.

- Você precisa ir ao hospital.

- Eles só vão me receitar remédios que eu já uso.

- Então não me resta outra escolha. – e o ajudou a se levantar. – vou levá-lo para a praia.

E para a praia eles foram. Inverno passou parte do dia calado e sentado na areia, escutando e assistindo as ondas nascerem e morrerem numa sinfonia da natureza, e Jezebel passou parte do dia o observando, como uma nova criatura descoberta na ciência. Inverno se cansou e deitou a cabeça no colo de Jezebel, como este fizera com ele uma semana atrás.

O céu estava em explosões de leves púrpuras, amarelos e alaranjados, pedindo licença para ser a vista dos dois. A areia, meio úmida meio seca, assoviava uma melodia que entrava no ritmo da praia daquela pequena cidade. Jezebel o abraçou por trás, abrindo as pernas e encaixando seu pequeno corpo no seu de nadador, e o segurou pelo peitoral magro enquanto ele descansava a cabeça perto do seu ombro. Inverno fechou os olhos e de lá fugiram lágrimas, um conto de fadas perdido nos mares de seus devaneios. Jezebel tirou suas lágrimas e beijou sua orelha fria, aquecendo-a com seu hálito.

Você é minha mais doce canção agora. Eu nunca senti isso antes. Eu tenho necessidade de você. Você é o meu santuário, o meu abrigo, o calor que transborda pelo meu corpo. O sangue que escorre no meu coração de vidro, que engrandece a minha alma, e dilui a minha dor.

O nadador o deitou na areia e o beijou. Agora carinhosamente, guiando seus lábios numa profunda simetria daquilo que ele chamava de amor. Inverno se apaixonou pelo seu hálito quente e pelo calor daquele corpo em cima do seu. Seus músculos, sua saliva. Tudo ele amava, tudo ele deixava amar.

Ele trancou o quarto e seu cotovelo bateu no abajour que caiu silenciosamente no chão. Jezebel tirou sua camisa e desabotoou sua calça enquanto ele se deitava e fazia o mesmo, deitando-se na cama. O atleta passeou sua língua pela sua barriga branquela e magra, chupou seus mamilos e lambeu seu pescoço, até chegar no céu da sua boca e descobrir sua garganta, onde a desvendou com suas papilas gustativas. Inverno gemeu e seus olhos brilharam, ele empurrou Jezebel e arrancou sua calça, beijou seu sexo por cima da cueca e depois o pôs na boca, era branco meio róseo e já estava banhado de pré-sêmen, seus pêlos negros cutucaram o nariz de Inverno quando este o engoliu quase por inteiro. Jezebel também despiu suas calças e o deixou de quatro, massageando e lambendo suas nádegas cheias, enquanto Inverno miava com aquela sensação úmida e quente no seu íntimo, estava explodindo. Jezebel o beijou dos pés à cabeça, e depois colocou suas pernas em cima de seus ombros largos, penetrando-o e fazendo-o segurar um grito. Ele o colocou com violência.

Depois, Inverno montou em cima de seu amante e acelerou a situação, enquanto este segurava suas nádegas com força, deixando marcas vermelhas de mãos nestas. Jezebel queria impulso e levantava toda a cintura durante a cavalgada de Inverno. E antes que pudessem gozar, Inverno ficou de quatro novamente e se ofereceu para Jezebel, que enfiou seu sexo com mais força e agora mais à vontade dentro dele. Segurou-o pela cintura e bateu seus testículos nas pernas dele com mais força, enquanto tudo que ele tentava apalpar escorregava com o suor.

Inverno saiu da posição atual e colocou o sexo de Jezebel na boca, engolindo todo o sêmen, e depois lambendo a bunda musculosa do seu amante. E seu amante fazia o mesmo, masturbando-o e fazendo-o gozar dentro da sua boca, engolindo cada partícula esbranquiçada.

Inverno sugou o suor da sua barriga definida, provou seus mamilos e deitou-se sobre o seu peitoral, ainda respirando forte, e o coração se acalmando pouco a pouco. Pôs sua coxa nua em cima do sexo ainda meio inchado de Jezebel, enquanto este acariciava seus cabelos e passeava os dedos nas suas costas e nádegas, rosadas com a violência. E adormeceram.

Inverno se levantou, estava uma névoa densa e soturna. Ele não caminhou, deixou a criatura se aproximar. E tão logo veio Outono, seu gêmeo mutilado, cheio de olheiras e tragédia, balbuciando coisas que ele não entendia. Na sua pele surgiam manchas negras que cresciam e cobriam todas as partes do seu corpo. Ele o abraçou.

- Eu vou lhe oferecer o dom da morte. – Disse Outono, esfriando a orelha de Inverno.

- Eu não o quero. – Respondeu Inverno, indiferente.

- Eu vou lhe matar. Tu serás o meu sacrifício.

- Eu não serei nada para ti.

- Eu serei tudo o que vai lhe restar.

- Me liberta.

- Me prenda.

- Tu dissolverás na própria decadência. Ele é quem não é nada para ti.

- Ele me ama.

- O amor não é o suficiente para a tua dor. Eu sou a tua dor.

- Tu és quem não és nada para mim.

- Eu te descontrolarei.

- Sangue.

- Cinza.

- Eu não vou abandoná-lo.

- Vou matá-lo como se mata um beija-flor.

Inverno despertou. Ainda estava agarrado à Jezebel, confortado com o seu calor, e usou seu braço como travesseiro, para beijá-lo, fazendo o nadador sentir o próprio gosto na sua boca. Jezebel acordou mexendo os lábios, numa resposta ao beijo voluntarioso, e então pulou para cima de Inverno, roçando seu sexo novamente rijo ao do seu amado, numa masturbação sem mãos. Seus lábios massageavam os dele afetuosamente, ora calmo ora desesperado, e respirava forte. Aquele calor completo, aquele arrepio, aquele corpo oferecido e devasso. E depois de algum tempo deitou-se de volta.

Inverno brincava com os pêlos abaixo do seu ventre. Seu hálito de sexo ofegava no pescoço do nadador. Jezebel era o seu verão, e o seu verão o abraçou como uma concha abraça uma pérola, e sussurrou uma doce canção ao seu ouvido esbranquiçado.

- “I find shelter
In this way
Under cover
Hide away
Can you hear
When I say?
I had never
Felt this way
”…

Inverno deixou escapar uma lágrima, mas era de felicidade. Uma felicidade repentina ou duradoura, isso ele não sabia. Dormiu nos seus braços e acordou só, com sua mãe o fitando, apreensiva, e segurando o saco da sua lixeira, cheio de seringas e frascos.

- Filho... o que é isso? – Disse, com o olhar cintilando.

- Isso o quê? – Perguntou, esfregando os olhos.

- Isso! Esse monte de seringas! O que você pensa que está fazendo?

Invernou levantou e tirou a cueca colada entre as nádegas, mas sua trajetória ao banheiro foi interrompida pelo braço da mãe. Ela o encarou como nunca antes, e pela primeira vez durante um bom tempo, ele a encarou também.

- Não pense em me ignorar de novo.

- O que você vai fazer? Vai me matar como matou a ele?

O saco se desvencilhou das suas mãos e caiu, um tapa ecoou no quarto, e a porta de outro quarto se abriu. Inverno partiu para cima da mãe, esmurrando-a furioso, deixando-a indefesa num canto, e seu irmão mais velho entrou, apenas para assistir a cena, inexpressivo. A mãe chorava copiosamente. Era domingo, e foi a vez do pai surgir com seu cinto, atirando-o tão forte na parede que o vidro da sua janela cortinada se rachou, esbofeteando-o, surrando-o, os olhos vermelhos e decididos.

- Semana que vem você será internado, moleque. – Disse o pai, como se sua presença fizesse toda a diferença do mundo.

E no fim, os pais o abandonaram no quarto, estatelado no chão, com hematomas na pele por toda a parte, só não eram negros como os de Outono. O irmão mais velho se aproximou, com um lenço de papel, e limpou o filete de sangue que saía da sua boca, enquanto o irmão mais velho se sentava apoiado na parede.

- Isso deve doer. – Disse Verano.

- Não tanto quanto você pensa...

- Sério? E o que eu penso? Não sei o que eu penso. Eu gosto de morango com chantilly. – Falou, entortando a cabeça numa forma de estudar as expressões do adolescente.

- Papai me causa dor também. – Gaguejou, querendo sussurrar como que confidenciando um segredo. – Ele destranca o meu quarto, sabe, e vem como uma sombra. Às vezes não adianta eu trancar o meu quarto.

- Você deveria me ver mais vezes. – Disse Inverno.

- Não o ver muito é ruim pra você?

- Um pouco... Não tanto quanto deveria.

Inverno riu. Que piada. Uma mãe submissa, um pai hipócrita e um irmão retardado. Mas ele gostava do irmão, apesar de invejar a sua altura.

- Você vai sair de casa hoje também? – Perguntou Verano. – Você parece gostar de sair pela madrugada. Acho que a madrugada é a sua amante.

E Inverno foi. A mesma boate, a mesma bar-girl (ou man), e Thomas, o louro bronzeado, vindo para apertar sua mão gentilmente, com aquele sorriso de que tudo está bem e tudo será um verdadeiro paraíso.

- Eu sabia que você viria.

É claro que ele sabia.






~






Black Cherry & Andrew Oliveira
Trecho da música 'Shelter', da banda The XX, usada neste capítulo.

2 comentários:

  1. sim, porque quando uma pessoa tá colocando pus pelo braço é só levar ela pra ver as ondas no mar que a inflamação diminui >.>

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  2. HDASUSDAHUSADHUSADHUDSAHSDAUHSDAUASDHUASHUASDAHh'

    Ah para, é uma série poética tá? E o Jezebel,digamos que ele não é tão inteligente assim /hm

    E VOCÊ VAI ENTENDER NO CAPÍTULO 5 /hehehehehehehe lol

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