Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Influência

O mundo é um enorme livro de regras. Para falar em determinado meio social, para escrever, liderar, construir e até dissertar. As regras são importantes, é óbvio, ou tudo seria uma massa de caos e inconsciência, uma irracionalidade esdrúxula. Claro, não defendo aqui os dogmas sociais, que podem até ser regras, mas suas imposições são muito diferentes destas. Dogmas são pequenas ditaduras criadas por cérebros de pensamentos fechados e limitados, resultando também no preconceito e o desrespeito perante o comportamento de determinado ser. Cria-se assim um ciclo vicioso.

As regras, pode-se dizer, são uma forma de disciplinar o nosso mundo, deixá-lo pacífico onde todos saem satisfeitos sem precisar de medidas mais drásticas. Não me refiro, no entanto, ao pensamento livre a aberto. Não é errado ser uma pessoa dinâmica, consistente e desvencilhada de qualquer conceito ou argumento falho e mesquinho. Pelo contrário, é infinitamente melhor, pois em um mundo onde todos tivessem a mente aberta, nenhum sairia repreendido e desrespeitado por ser diferente, igual ou meio-termo. Estas regras, porém, são regras mundanas. O problema real são as regras individuais, de um determinado grupo social, e é aí que chegamos ao ponto.


Quando você está em um meio do qual não se encaixa, por exemplo, a primeira coisa que acontece é uma suave hostilidade para com você. Num grupo de “emos”, você deve vestir roupas pretas (atualmente multi-coloridas), calças apertadas, fazer uma chapinha no mínimo horrorosa no seu cabelo, pintar as unhas, passar sombra nos olhos, escutar lixo cultural que você deve chamar de música, e acreditar piamente que o mundo inteiro está contra você. Num grupo de “indies”, você deve fumar igual uma chaminé, ser adorador de café, ser um blasé com Deus e o mundo, sofrer de bipolaridade (apesar de que você provavelmente seja uma pessoa chata e previsível), adotar também o estilo “hipster” e tudo o mais, julgar o que virou e o que não virou “modinha”, e se virou, os novos fãs deverão ser um bando de “posers” pra você, você deve acreditar que é uma pessoa “cult” e de inteligência ímpar, já que você gosta de coisas que nem todos gostam. Num grupo de “nerds”, se você não acompanha as animações japonesas de maiores sucessos mundo afora você logo é um aculturado, você deve jogar exacerbadamente jogos de RPG na internet sem se dar conta de que há uma vida muito interessante lá fora para ser tecida, você deve sempre, sempre ler e acompanhar centenas de HQ’s americanas, e venerar heróis fantasiosos como se fossem deuses, enfim.


Então, sendo indie, emo, gótico, intelectual ou toda alegoria de estilo em determinado lugar ou grupo, acontece uma coisa, querendo ou não, acontece sim. Você ou é influenciado conscientemente, ou você não passa de uma ostra vazia da qual absorve todo lixo que cai no mar. Entretanto, nem toda influência é ruim, mas há de se ter cuidado com o fruto que você comerá.

Desde pequenos, somos criaturas nascidas para adquirir conhecimento. Somos primariamente influenciados pela nossa família, pais ou irmãos ou avôs ou pessoas que nos adotaram. Somos influenciados a compreender e falar a nossa língua materna, a andar, a se socializar, a se portar devidamente, enfim. Somos influenciados a nos comportar e ser mais uma célula na sociedade.


Pode-se aprender depois de todas as influências, digamos assim, éticas, escolher o que é e o que não é melhor pra você, é a sua vez de agir nos meios sociais e aprender o que pode lhe beneficiar ou não. Não existe essa de “o calor do momento” ou “só porque é meu amigo vou fazer o mesmo”.

A amizade, por exemplo, carrega uma enorme pilha de sentimentos, positivos e negativos. Você tem que aprender a ter auto-controle, tolerância, fidelidade, sinceridade, e acima de tudo, discrição.


Você tem que zelar pelas suas amizades e descobrir quais são as verdadeiras, quais valem a pena para a sua vida, e te dar influências boas para crescer como pessoa e assim amadurecer de forma produtiva, se desvencilhando de coisas triviais, fúteis.

Num grupo social do qual você está conhecendo, é normal haver a existência de pessoas negativas, que inventam fofocas e tentam causar discórdias entre você e seus prováveis amigos. É importante passar por cima disso, permanecer educado (a) e indiferente a essas ondas que só são resultado de criaturas solitárias e sem amizades verdadeiras, que não souberam cultivar nada de bom. Em suma, ignorar. Se não provam que você não fez tal coisa, se você realmente não fez, então você não fez, simples. Logo, você de primeira já consegue cortar influências que só vão te prejudicar, e se deixar, conseguem até lhe transformar em alguém assim.


Todo ser humano carrega dentro de si um demônio intenso e severo, não exatamente um demônio, mas uma força que pode acabar em sérias consequências. Todavia, é decisão desse ser humano deixar esta força controlá-lo ou fazer desta força um meio de se tornar alguém melhor. Todo ser humano está passivo de erros, isso todo mundo já sabe, mas é sempre bom ressaltar, porque nós temos o mau costume de ver os erros alheios, o ruim é quando nós erramos... Pior de tudo, tem gente que bate o pé e não consegue admitir as próprias falhas! Sério, isso não é ser humano, é ser burro mesmo. Isso porque eu nem citei os hipócritas, que julgam seus erros, e, no entanto tomam atitudes ainda piores e extremamente cegas...

É crucial ser forte e empreendedor, pois apenas assim você consegue discernir influências boas de más (apesar de que o bom e o mau sejam questões muito oscilantes. O bom pode ser mau, o mau pode ser bom, etc), apenas assim você constrói suas próprias opiniões, sua personalidade e seu caráter. E assim, as pessoas verão que você é indestrutível em muitos quesitos, e elas só receberão boas influências de você.







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Nick S. O'Hara

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