Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aurora: Último capítulo - Como amar


As ruas estavam desertas, as pessoas estavam com medo das notícias nos jornais, o que aconteceria com elas vulneráveis por aí? Arthur não se importou, e continuou postado a caminhar em direção à apresentação de Emilie. Andréia nesse momento passeava pelo seu ex-quarto à procura de alguma coisa que pudesse chegar a ele, e sua mãe preparava um jantar morno para os filhos que restavam, para os que não eram ovelhas revoltadas.
A casa estava fria como sempre, Maria Martyr já colocava os pratos à mesa, resmungando alguma coisa e se enrolando no seu xale, não como uma velha cansada, mas como uma mulher sem mais nada para fazer, sua filha mais nova penteava os cabelos de uma boneca de porcelana, não muito apropriada para uma garota tão pequena, mas a única que havia por ali. Os outros garotos faziam alguma limpeza pela casa, algo completamente desnecessário para uma casa tão limpa. Uma luz chegou ao lar.
- Arthur! Você veio muito cedo! - Disse Emilie espantada, porém suficientemente alegre, na porta do auditório.
- Bem, ao menos eu vou poder sentar na frente. - Sorriu Arthur.
Arthur sentou numa cadeira na primeira fileira, esperando impacientemente a apresentação de Emilie, começando com um violoncelo, depois com um coral, até chegar a uma orquestra de violinos e tambores. E pensou por um momento na sua família, e depois em tia Andréia, e depois em Corona Solaris, o homem que havia entrado tão repentinamente na sua vida, o deus cúmplice da sua fuga, de uma vida para outra, Emilie começara a cantar:
- And the sky is burning down once again
The sky is a flame and you're not the same
You try to think if thinks out
Just try to understand why you just wanna be back home now
You just wanna be back home ...
O que ele estava fazendo com a sua vida? No que ele estava pensando em abandonar a todos que amam desse jeito? Por quê?
Tudo isso era uma tamanha estupidez. A voz doce e sensata de Emilie alcançou toda a platéia, como uma ressonância de amor e tristeza.
- Picked you up, let you down
Just like you thought
Just like you saw
Just like you knew
But it's nothing to do with you
Nothing to do with you...
Corona Solaris correu, de um jeito amargurado, de uma forma que nunca correra antes, ele procurava alguém. Arthur pulou da cadeira, enquanto Emilie fechava os olhos e cantava ainda mais abertamente, e também correu, para sair do auditório, e achar o que queria.
- 'Cause you just wanna be back home now
You just wanna be back home now
And stay away from here
You just wanna be back home
Stay away, stay away!
Corona Solaris agora era Rodrigo. Rodrigo puxou Arthur pela gravata e o pressionou contra o seu corpo, ali, naquela rua deserta como platéia, e o levou até sua mansão. Carregou seu corpo e o jogou na poltrona da noite, arrebentando os botões de sua camisa branca, enforcando-o com a gravata, beijando-o como se beija uma rosa estampada de espinhos. Arthur também o despiu, lambeu seu peitoral e todos os outros músculos, furioso e ansioso.
Rodrigo mordeu seu pescoço e sua orelha fria, roçando sua barba mal-feita naquela bochecha branca e lisa, Arthur abraçou suas costas nuas, miando como um gato abandonando. Rodrigo passeou a língua e as mãos nas suas nádegas, Arthur preencheu a boca com seu sexo, lubrificando-o.
- But it's nothing to do with you
Nothing to do with you
It picked you up and let you down
It picked you up and let you down
It picked you up and let you down...
O dia amanheceu quente demais para ser um dia normal.
- And the sky is burning down once again
The sky is a flame and you're not the same
Not the same.


-Estudo científico: Corona Solaris-
Do diário do nosso líder, da Karma Mortem.
Entrevista cedida por Arthur Martyr, em 1904. O restante da entrevista foi recuperado.
-P: Agora me diga Arthur, como era a relação de vocês?
- Arthur: Não quero falar sobre isso.
- P: Arthur, nós precisamos de informações e...
- Arthur: Eu sei, tudo bem? Eu só sinto vergonha.
- P: Por que vergonha?
- Arthur: Por que o que eu fazia era pecado, era errado.
- P: Não é errado amar, Arthur.
- Arthur: E é errado de sentir humilhado?
- P: Bom, tudo bem. Descobrimos também que há um caso de desaparecimento não resolvido nesse ano.
- Arthur: Minha irmã.
- P: Você acha que Corona Solaris estava envolvido nisso?
- Arthur: Não sei, ele ainda ficou um bom tempo ao meu lado.
- P: Mas você nunca perguntou.
- Arthur: Meu maior medo, era que fosse o serial killer de quem todos falavam na época, pra ser mais exato, Gustavo, mas não foi ele...
- P: Você não tem ideia de quem foi?
- Arthur: Ela simplesmente desapareceu. Desapareceu, como a vida de uma borboleta, como Corona Solaris, sem deixar rastros, minha mãe só lembra de uma luz muito forte entrando em casa, quando acordaram, ela não estava mais lá.
- P: Uma luz?
- Arthur: Não tenho certeza, poderia ser uma escuridão disfarçada de luz, levando minha irmã para outro lugar, melhor ou pior, eu também não sei. Mas talvez ela esteja vivendo melhor do que nós, neste mundo condenado a ser o pior de todos, talvez ela seja a luz que essa escuridão procurava, o seu amanhecer, a sua deusa da luz, uma aurora.





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Aurora: - La Fin -





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Black Cherry
Photografia: Black Cherry, "My Private Aurora"
Music: Nothing to do with you, of Emilie Simon

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