Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pequena excessão

Já imaginou o quanto poderia ser bom viver apenas disso? Acho que não, e também não sei se isso algum dia chegará a você, mas tenho certeza de que se eu fosse correr, você me seguraria. E você gosta de ficar assim, pairado, sentindo a grama molhada sulcar-lhe os pés descalços, com frio, abrindo a boca para os céus e beber da chuva mais doce que você já provou, abrindo os braços e abraçando o céu mais confortante e bonito que você já abraçou. Aquele céu estendido de cinza, azul, amarelo, rosa e paixão, com botões de saudade na mais bela camisa da solidão, não, não, de jeito nenhum, você não pode se sentir só. Mas o que é que pode ter certeza?
Eu gosto de te imaginar assim, pensando nas coisas que você planejava, na casa perto do lago, ou da varanda de frente pra praia. E acho que você gosta de imaginar assim, pensando em todas as cartas que você não teve coragem de escrever, em todas as palavras que você machucou e assassinou dentro de si, em todos os livros que você não leu. Isso se é falsidade ou dor? Eu nunca vou saber. Você é meu mais frondoso e aconchegante imprevisível.

Como uma criança a brincar no parque, areia por todas as partes do corpo, chorando ou gargalhando. Como um pássaro azul-marinho fugindo de sei-lá-o-quê. Como um cão com a pata machucada urrando de dor no meio de uma rua veloz. Como a mais sensível música feita no luar, para abrir o sol e dizer sim. Sim! E é isso que eu quero, dar boas-vindas ao sol, conversar com ele sobre a minha vida, o quanto ela está ótima ou péssima. Mas isso você nunca vai saber, você tem medo, e por isso nunca sai da toca. Não estou brincando com a sua cara, não me entenda mal.

E esse seu peito maldito, estufado não com orgulho, mas com algo a esconder. Por que você gosta tanto de esconder? Por que você simplesmente não mostra pra alguém? Você tem medo de que ninguém o entenda? Pare de ter medo de tudo, eu te odeio tanto às vezes, você me sufoca com esse teu silêncio. Esse maldito silêncio feito de segredos velados por mim.

Mas acho que no fim, isso tudo, eu nunca vou te mostrar. Você é um porão de coisas queimadas e jamais descobertas, eu sou um sótão, frequentemente iluminado pelo sol, onde todas as minhas alegorias ficam à mostra. Mas você não, de jeito nenhum, que raiva, que saco.E por quê? Tudo isso por uma dose de frieza? Eu não acredito, sinceramente, ou não quero acreditar.

Mas é sempre assim, em todos os dezembros você se refugia no porão contra a Alemanha Nazista dentro de cada um, para não se machucar. E você nunca vai aprender nada desse jeito, me deixando aqui, sem nada nem ninguém. Eu tenho apenas você, não me decepcione também, já estou cansado demais para sofrer por você, Black Cherry. Ah, meu amargo amor, Black Cherry, um arauto da amargura da solidão, uma carta para nenhum deles, uma dor nostálgica e esquecida em caixas de papelão, uma folha em branco-amarelada, sem nada para escrever, sem nada para dizer. Pare com isso, Black Cherry, pare de me explicar seus motivos, eu não preciso deles também, eu gosto do seu abraço frio, eu consigo suportar isso, eu sei, eu sei muito bem, então não me abandone agora.













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Andrew Oliveira

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