Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Dezembro de papel


Ah, como seria bom viver num chalé, nas montanhas, onde existisse apenas uma boa comida, café, chá, uma lareira, livros, música e paz. Uma imensa paz no coração, na alma, que parasse a dor na caixa torácica, que esvaziasse a minha mente e eu pudesse acordar apenas com o cheiro amadeirado das árvores envernizadas com neve no inverno e o aroma adocicado e primaveril de flores na primavera. Como seria bom viver num lugar desses apenas na companhia do meu amigo Rapha, a mente que criou essa ideia tão bucólica e utópica.

Como seria bom viver acordando e se molhando com o céu da madrugada se arrastando e estendendo lençóis de costuras e detalhes alaranjados, vermelhos, suavemente roxos do amanhecer. Uma dona de casa colocando um lindo nascer do sol no varal para secar, os braços fortes acostumados a espremer as roupas do céu, a boa vontade de limpar o guarda-roupa da noite para que o sol use seu melhor e mais caro terno para ir trabalhar. A amizade dela com ele, sem exigir nada, sem jogar na cara o quanto ela é benevolente com ele. Porque ela sabe cultivar uma amizade, essa dona de casa sabe sim, e não é apenas lavando roupas celestes ou limpando móveis e arrumá-los. É somente sentindo isso.

Como seria bom poder viver sem interrupções, sem mágoas ou amizades frágeis. Que houvesse ao menos um nesse mundo que entendesse suas ações ou o que você fala, ou o que você finge, ou o que você esconde. Mas não é nada disso. Viver recolhido do mundo? Infelizmente não.

O ano está acabando, estamos em dezembro. Dezembro é sempre assim pra mim, nunca muda pra melhor ou pior, continua na mesma. E de repente pára, e volta num grau ainda mais grave, parece que guardam tudo pra fazer no final do ano, especialmente no final do ano. É sempre assim.

O natal tá chegando mesmo...











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Black Cherry e Andrew Oliveira

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