Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Epílogo - Rainbow


Está tudo tão escuro agora, uma escuridão sem fim, nem começo, sem qualquer sinal de bondade ou inocência, como o pecado original, línguas de fora, equações de merda e muita futilidade. Eu até gostava de ter uma relação de amor e ódio com as pessoas, sabe.
Preferi não guardar mágoas, oh, quanta hipocrisia, o que eu ainda estou fazendo aqui? Eu deveria sumir de vez, ir para um mundo onde existissem apenas os titãs criando seus deuses, e seus deuses nunca pensassem em criar os homens, e aqui, seus homens nunca pensassem em criar a destruição, apenas para passar o tempo, e o tempo criasse a mecanização de uma sociedade, para acharmos que estamos satisfeitos com tudo isso, mas eu nunca estou satisfeito, eu nunca estarei satisfeito.

Meu nome é vários, mas gostaria de ter apenas um. Eu não sou como o sol como pensava que fosse, não brilho perdido e desnorteado, apenas queimando-me, em dimensões negras, cheias de intenções negras, eu não sou nem uma estrela tão insatisfeita que resolve brilhar a bilhões de quilômetros de distância, não sou, e não vou mais querer ser, cansei de ser, cansei de estar. Talvez eu seja muitos, talvez eu seja nenhum. Ah, droga, como eu sou redundante, que merda, que bosta.

Mas, sei lá, ter conseguido viver por todos esses anos, ter sobrevivido ao meu câncer de pulmão foi um milagre, mais um milagre foi ter sobrevivido àquele acidente no meio do centro de Nova York, e ainda querer viver, completamente sozinho.

Durante quase toda a minha vida eu dizia que não precisava de ninguém, apenas de mim mesmo, que mentira, mas que cara de pau filho da puta, eu era mesmo um otário, sem visão alguma da realidade. O meu mundo de ontem era tão límpido eu não aproveitei nem um pouco dele, o meu mundo de hoje tem um ar cheirando à cinzas de uma Terceira Guerra Mundial, o prelúdio da minha morte, apenas o prelúdio.

Ando a cada dia mais cansado, paz não existe mais, não existiu um novo mundo surgindo das trevas nem pessoas com mente mais aberta, quer dizer, salvo algumas excessões, tinha o Lucas. Lucas, me ajudou tanto durante décadas, eu nem sei mais onde ele está, sinto falta dele, sinto falta de Stella também, Stella era minha melhor amiga, mas depois se amargurou, eu não entendi, e ainda não entendo, até desisti disso.

Agora, uma tarde que acabou de se cessar uma chuva, o sol mostra cores tão belas para mim, eu ainda gosto do sol, e um arzinho frio, com odor de morte, tenta penetrar na pele enrugada do meu rosto, aliás, eu só consegui sobreviver, com uma carta, uma minúscula carta que mandaram pra mim, que só foi enviada à mim 20 anos depois de quando a escreveram, e isso foi o suficiente para toda a minha vida que se seguiria a partir dali, até da beleza tão efêmera e poética de um arco-íris, com palavras doces do melhor sentimento do mundo:

"Eu ainda estou aqui,
Você consegue fechar seus olhos para dormir agora, filho?
Te amo"

Te amo.




~




Black Cherry,

Pedro Arthur,

Maria Ana,

Lucas Lustat

e Stella Vazjekovzka,



-le finale-











~


* Créditos Finais: Personagem Stella criada por Louie Mimieux (para saber mais sobre ele, visite: http://www.antonioquem.blogspot.com), obrigado por me emprestar sua Stella :D

* História/Criação/Produção/Direção: Andrew Oliveira

* Fotos: Coniellim, exceto no último capítulo "Mamãe"

* Capítulos:

1 - Erro

2 - Amor

3 - Inconstantes

4 -Escapismos

5 - Amargo

6 - Origem

7 - Quando

Último Capítulo: Mamãe

Epílogo: Rainbow







Andrew Oliveira, meu obrigado à quem acompanhou a vida de Black Cherry :)

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