Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Origem


Puxou um cigarro da carteira do seu bolso para fumar, sem camisa, foi para o sobrado de seu apartamento ver um pouco da deslumbrante vista de Nova York, para ele, entediante. A lua estava cheia, e ele também, cheio de angústias congeladas no seu peito, mas isso ele preferia não mostrar, tinha que ser mais frio do que estava por dentro, não posso me dar ao capricho de chorar. Tocou em sua pele tão branca quanto um véu para sentir o ar daquela cidade penetrando na sua pele, e fechou os olhos.

Lembrou de sua mãe, uma imagem distante e reluzente, ela era um anjo.

- Black Cherry? Por que ainda está acordado? Não consegue dormir, filho?

- Meus olhos não querem se fechar mamãe, eles tem medo de nunca mais enxergar.


Lucas despertou de mais um de seus pesadelos, viu de relance o escritor sentado no sobrado, e decidiu se levantar, ainda nu, aliás, desde que entrara naquele apartamento, estava sempre nu.

- Black Cherry? Por que ainda está acordado? Não consegue dormir. - Sussurrou Lucas saindo da escuridão e caminhando à luz da lua.

- Eu quase não durmo, aliás, faz um bom tempo que eu não durmo direito. - Falou, entediado.

- Por quê?

- Você sempre pergunta sobre tudo? Nunca tem certeza de nada? Isso me irrita.

- E que certeza deveria ter? - Questionou, franco.

- Ouviu? Outra pergunta.

Lucas respirou fundo, tentou se acalmar.

- Eu queria lhe entender, mas parece que com você, as coisas não funcionam assim.

Houve um silêncio e apenas o vento assoviando nos corpos despidos e surrados pelo destino, carma, ou seja lá o que for.

- Eu vou te contar uma história. - Iniciou Black Cherry.

Lucas sentou do lado dele, perto, perto demais, quase roçando.

- Existia uma criança, concebida em segredo, por dois jovens imaturos, com medo de tomarem esse filho deles, resolveram fugir, para muito longe. Passaram anos morando escondidos, até que a família descobriu, e uma das irmãs da mãe da criança a tomou, por inveja ou ódio. O pai se alistou na guerra e morreu logo em seguida, e a mãe, cometeu suicídio... - Pausou.

- E a criança?

- Ela foi adotada por sua tia, e seu padrasto, que a tratavam como se fosse um monstro. Em todas as noites na casa daquela mulher, a criança era estuprada pelo padrasto. A tia dela sabia, mas nunca fez nada, nem um gesto de carinho ou de defesa, até que ela fugiu de casa, e foi atropelada por um carro. - Pausou mais uma vez. - A Assistência Social tomou a criança dos tios e a entregou para um orfanato, de onde foi adotada por pessoas piores do que a sua família. Ela se tornou uma miniatura calada, que apenas escrevia e escrevia, sem parar, nunca dizia nada, e isso era motivo fácil para apanhar, uma vez apanhou tanto que foi parar no hospital, mas dessa vez ninguém fez nada. E com tudo isso, nasceu nela uma escuridão sem fim, onde ela resolveu guardar seus sentimentos numa caixa de Pandora, e esconder no negro abismo que se instalava seu coração. - Ele abriu os olhos, cheios. - Ela morreu, Lucas, sentindo-se culpada pela sua vida ordinária, e no seu corpo apenas uma sombra o movia para o mundo, sem felicidade, ou melancolia, sem nada. Nada lhe restou, apenas um vazio cinzento cheio de névoa.
As lágrimas degelaram, a angústia destravou, Black Cherry chorou, na luz da lua cheia, vulnerável como um bebê, gritou como um trovão.

- Eu acredito que ela ainda esteja viva, Black Cherry.

- Desculpa, Lucas. - Soluçou. - Eu não consigo parar.

Lucas sentiu um peso na consciência, até hoje ele não sabe por qual motivo, mas ele sentiu, e foi forte, tão forte e doloroso que o fez abraçar Black Cherry com o máximo da sua força, sentindo as lágrimas dele tocando no seu peito despido.

Black Cherry gritava, suas dores estavam mais fortes, até que não aguentou e se contorceu tossindo sangue como se fosse uma garoa, anunciando a tempestade.








~






Andrew Oliveira, e o fim da missão de Black Cherry está próximo (:

Um comentário:

  1. Lucas volúvel Ç-Ç
    vai apanhar da Stella puta mal comida revoltada, cuidado com ela, ela tem um revólver escondido OAHSDPOASHDOPASD. hmmmmm VAMOS FUNDAR AS CRÔNICAS DE NOVA YORK? acho que vou escrever mais crônicas de personagens nova iorquinos e depois interligar tudo às histórias da Stella e do Lucas

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