Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

terça-feira, 13 de julho de 2010

Escapismos


- O.... Olá Lucas. - Soltou um meio sorriso, ainda estupefado com aquela face.
- Você está aqui de passagem? Deve ser um cara bastante ocupado.
- Na verdade só tenho essas duas semanas de férias. - Parou um pouco e retornou. - Lucas, você sabe incorporar?
- Incorporar?
- Isso, incorporar um personagem. Vamos para o meu apartamento, quero conversar com você.
Lucas estranhou, hesitou um pouco mas resolveu revidar:
- Você costuma convidar estranhos para ir ao seu apartamento?
Black Cherry sorriu maquiavélico:
- Só quando eles são interessantes.
- Desculpa senhor Cherry, mas é que eu queria me encontrar com uma pessoa o quanto antes.
- É muito importante? - Ele se irritou com o "senhor".
- É Stella.
- Ela pode esperar.

~

- Então você está atrás de um protagonista para a adaptação cinematográfica do seu último romance? E acha que eu me encaixo nele? - Questionou Lucas admirando a vista da cidade na janela do apartamento de Black Cherry.
- Tenho certeza, eu nunca erro.
- E eu vou fazer teste pra atuar?
- Atuar? - Cherry soltou um gargalhada. - Eu não disse atuar, eu disse incorporar, quando você incorpora um personagem, apesar de afetar seu lado psicológico, ele sai mais intenso.
- Bom, eu fiz faculdade de artes mas larguei no período das últimas provas, talvez eu consiga. Nossa! Nova York daqui é tão linda.
- É entediante. Depois desse filme vou pra Amsterdã.
- Você é bem mais seco do que eu pensei. - Assustou-se Lucas.

O telefone toca. Black Cherry atende.
- Filho? - Perguntava a voz rouca na outra linha.
- O que foi mãe? - Perguntou Black Cherry meio indiferente.
- Como você está? - Arriscou.
- Estou bem, na medida do possível, trabalhando no filme do meu novo livro.
- Que bom, por que você não vem me visitar? - Falou num meio tom melancólico.
- Pra quê?
- Eu sinto sua falta, filho.
- Deveria ter dito isso quando eu precisava de você.
- Filho, por favor, eu me sacrifiquei tanto por você, e por sua irmã.
- Sacrifícios... Sacríficios... É só disso que você sabe falar? Sacríficios não me interessam, mãe.
- Filho, por favor, venha nos ver.
- Desculpa mãe, agora eu tenho uma vida para cuidar. Por que você não faz o mesmo?
- Filho...
- PÁRA DE ME CHAMAR DE FILHO, EU NÃO SOU SEU FILHO!
O telefone desliga. Black Cherry o jogou na parede.

- Você está bem? - Preocupou-se Lucas.
O jovem sentou no sofá para respirar fundo, pôs as mãos na cabeça cabisbaixa, com os cotovelos apoiados nas coxas, e tentou segurar o choro, por que eu não posso ter uma vida perfeita?

Você não pode simplesmente largar o seu passado, Black Cherry.

- Você é garoto de programa, não é? - Sussurrou o escritor.
- Era. Agora sou modelo do Calvin Klein.
- Eu te pago o que você quiser, mas por favor, fica esta noite comigo?
- Pelo meu escritor contemporâneo favorito, eu faço de graça.
Lucas o abraçou, beijou-o ternamente, e provou um pouco da cereja que já estava vermelha-sangue, e mais doce do que o próprio corpo de um anjo.

Hálito da madrugada percorreu o corpo arranhado de Lucas, ele estava enlouquecido. Aquilo tudo era tão surreal, de garoto de programa para modelo, de modelo para amante de um dos melhores escritores da nova era, mas no momento aquilo não importava tanto, não enquanto ele suava em cima de Black Cherry, sugando-o, dava vontade de dizer "eu te amo", mas a cereja negra desprezava essa baboseira.

Ia e voltava com mais força, Black Cherry miava de dor e êxtase, um estado de transe num tempo distante dali, como se nada importasse mais. As nádegas de Lucas se endureciam, e ele ia com mais força, fazendo-o querer gritar, beijando-o para enlouquecê-lo. Black Cherry estava bêbado de loucura.

A lua de Nova York gemeu, contorcida num espectro de sêmen e orgasmo. Só não me ame, Lucas Lustat.







~






Andrew Oliveira (:

Um comentário:

  1. Oh! Que texto impetuosamente estranho, gostei.
    Favoritarei teu blog, ok?


    Boa noite, tenha uma ótima semana.

    Genniffer Moreira

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