Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Erro


O mês de junho já havia começado, como todos os dias, insuportáveis como todos os outros, Black Cherry ainda transbordava de sonhos e esperanças, era cedo pra correr atrás de sua fama, de seu reconhecimento, talvez, o destino é variável demais, pensou. A escada para o seu sucesso ainda estava começando. Tudo ainda estava começando, um novo mundo? Ou a estrela da manhã?
Sonhou com um pequeno romance chamado Bolo de Morangos, onde uma família feliz, sensata e agradável, dona de uma padaria, salvava casamentos e namoros complicados com suas receitas especiais, uma família, por sinal, bem diferente da sua. Que inferno, não vejo a hora de fazer 18 anos pra sair logo dessa casa!

Talvez Black Cherry se guiava demais pela família, e tentava provar para ela que não era isso que ele era, isso poderia ser um erro, ele não precisava provar nada, aliás, nunca realmente precisou, o problema de Black Cherry era que sua personalidade era difícil de entender, não era uma personalidade para qualquer um entender, era uma personalidade cheia de camadas e passos cuidadosos pelas sombras, ou pelas luzes.

Ninguém entendia Black Cherry, Black Cherry, esquisito, lúcido, uma constante variável, escrevia poemas para tentar esquecer um pouco suas mágoas nunca descobertas por outro alguém, ouvia músicas o dia inteiro para suportar toda a dor que carregava, ninguém sabia que dor era aquela, e nunca saberiam. Black Cherry nem sempre era constante, era mais inconstante em certos momentos, as pessoas pensavam que ele falava coisas sem sentido, quando na verdade, tinham muito significado, nunca davam importância para o que Black Cherry falava, ele testava tanto os sentimentos das pessoas que esquecia como era ter uma relação sincera e profunda, Black Cherry logo tornou-se fútil, mas nem quando ficou assim as pessoas o aceitavam. Era como um alienígena falando latim escrito em hebraico e pronunciado numa mistura de alemão,japonês e turco.

Black Cherry havia criado mil possibilidades para o seu futuro, e sempre contava para o seu irmão, que, comum e limitado, achava tudo um absurdo que nunca iria acontecer, ele não queria provar nada para seu irmão, só queria ter algo para falar, mesmo que fossem devaneios ou ressentimentos. Seu irmão era um ser previsível, pessimista, que só via as coisas pelo lado negativo, para ele, nada nunca era o bastante, e quando era o bastante, o bastante era bastante demais, um insatisfeito que achava tudo na vida uma bobagem, uma viagem sem rumo por não ter o que fazer, uma estrada desgrenhada.

Lá estava Black Cherry escrevendo poemas durante as aulas chatas de filosofia, nem precisava estudar algo tão óbvio, era um tempo livre pelas aulas. Black Cherry, uma incógnita complicada, um símbolo desconhecido, uma charada mortal. Gostava de transformar o finito em infinito, o impossível em destino, o sol em estrela amarela, mas que bobagem, um sol amarelo!

Black Cherry às vezes caía nas suas notas escolares, como qualquer outro, mas para sua mãe, assim como para seu irmão, nunca era o bastante, seu pai já estava de saco cheio dele, seu outro irmão quase não notava na sua existência. Passou a se esforçar o máximo, claro que não havia abandonado seus passatempos, mas ainda assim não era o suficiente, eles queriam mais, sua mãe almejava que Black Cherry se tornasse um robô estúpido e enferrujado como seu irmão, Black Cherry não queria acabar assim, Black Cherry tinha sonhos muito diferentes...

Construiu uma escada com madeiras de alegria, e subiu para acender uma estrela, porém, como a alegria era passageira, logo espatifou-se no chão após o evaporamento dela, sua mãe o puxou pelos cabelos, cortou seus longos cachos com uma navalha, prendeu-o num porão chamado "Be A Pefect Lie", e jogou a chave ao infinito que Black Cherry havia criado.

-Você sonha demais, Black Cherry.














Cereja Negra da dor.


















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Andrew Oliveira

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