Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Amor


Quanta bobagem se deixar levar por sentimentos tão fáceis assim, pensou Black Cherry, após conseguir destrancar o cadeado do porão onde se encontrava com um pedaço de arame farpado, estava de saco cheio de ser tão caloroso e bondoso com os outros. Desta vez serei o veneno da bebida deles, sorriu maliciosamente.

Seu olhar demoníaco, agressivo, estava pegando fogo, Black Cherry se queimava por dentro, desta vez, seria um canalha frio, uma fortaleza, tão espessa que ninguém mais descobriria o que tivera lá dentro, lá dentro poderia ter várias paixões,

cansei das paixões.

Pegou sua gorda economia e fugiu de seu lar. Um fugitivo da família, que se danem! Eu nunca precisei deles, realmente. Suas possibilidades estavam perto de realizarem, quem sabe. Espero que essas roupas e essa grana sejam o suficiente para sobreviver durante algum tempo, atreveu-se a pensar mais uma vez.

Alugou uma kit-net, das mais vagabundas possíveis, mas foi única que encontrou, então pôs-se a planejar seu dia seguinte, tão logo adormecendo no sofá-cama do local.


O dia estava quente, Black Cherry pegou seu livro encadernado, e foi atrás de várias editoras, várias o recusaram, ora disseram que era complicado demais, ora disseram que era polêmico demais, era um livro de poesias, um livro cheio de inquietações e desejos de libertação, um livro crítico, que apontava as pessoas sem personalidade, alienadas pela mídia e pelos comerciais, que desistiram de ter uma opinião, de pensarem por si próprias, bem parecidas com a sua família, aliás.

Black Cherry ainda estava triste pelos seus belos cachos estarem completamente violados, e resolveu ir a um cabeleireiro. Seu cabelo era grande, passando dos ombros, um castanho médio brilhante e belo, realçando seus olhos cor de caramelo, mas agora estava extremamente desordenado pelo corte violento da mãe. Black Cherry tinha um físico perfeito, para um garoto de apenas 17 anos, um rosto mal cuidado, por debaixo dos olhos umas leves olheiras, resultado das madrugadas de tanto pensar. Não era bonito, mas era atraente, e poderia conseguir qualquer pessoa com seu sorriso infantil e cínico. Mas até agora não havia experimentado isso.

Foi a um expresso logo ali perto, ainda não tinha tomado café, e estava quase caindo no meio da rua de sono pela noite mal dormida, mas ele não poderia entregar-se ao carma agora, tinha que lutar.

O sol alimentava suas visões, como sempre, Black Cherry pensava em mais de 1000 coisas, possibilidades, sonhos e pesadelos, todos juntos de uma vez só, uma salada de frutas! Black Cherry gostava e ao mesmo tempo odiava o sol, era uma força pra ele, porém, uma toxina também, ele era próximo e distante do sol, irmão gêmeo e inimigo. Black Cherry era sol, Black Cherry era escuridão necessitando de sol.


Já estava perto de uma outra editora, e já havia gastado mais de 10 dólares em ônibus indo de editoras em editoras, era a última do seu dia, no fim da tarde, nem havia almoçado. Cansado, resolveu descansar um pouco num banco da praça defronte a editora.
E começou a pensar na sua primeira namorada, no início de sua adolescência, ela surgiu, Alice, onde estará Alice agora?
Alice poderia amar Black Cherry novamente?

Aquele amor tão puro poderia acontecer novamente?

Quanta baboseira! Black Cherry recompôs-se novamente, chega de amor, amor é uma futilidade do ser humano, ninguém precisa de amor! Sempre pensando. Amor é tóxico. Amor humilha. Pegou na sua cabeça, sentiu seus cachos curtos, piscou duas vezes, levantou do banco, e foi em direção à entrada do prédio da editora New Hope.


Vamos à guerra!





~










Andrew Oliveira, ou Pedro Oliver :)

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