Solitude, darkness and love


"I don't wanna admit, but we're not gonna fit"

terça-feira, 20 de abril de 2010

Introdução: ~ Alcatéia ~


Sophia já não sabia mais para onde ir, não fazia ideia de onde estava, nem de como chegara naquele estado, era um lugar tão escuro, tão perdido no tempo, e, ao mesmo tempo, de sensações sufocantes, se olhasse mais de perto poderia se ver a luz do corredor entrando na fresta da porta, e os gritos de dor que preenchiam o vazio insuportável daquela casa que guardava as dores mais dolorosas, as tristezas mais tristes, as feridas mais abertas.

Ela não compreendia nada daquelas palavras vomitadas a berros de seus pais, embora não houvesse o porquê compreender, na verdade nem deveria se compreender, aquilo era mais forte do que ela, mais forte do que qualquer medo que a fazia ficar embaixo da sua cama, aguardando o fim daquela briga sem sentido. Fechou os olhos e tentou sonhar com coisas boas, que a faziam de alguma forma se sentir melhor, fechou os olhos para eles que a assustavam, fechou os olhos para si mesma, fechou os olhos para o mundo.
Prometeu a si mesma não sair de lá enquanto todo aquele barulho não acabasse, estava cansada do barulho, estava cansada de respirar aquele ar tão inodoro quanto aquela escuridão.

Um tiro assassinou brutalmente o barulho, e tudo caiu no silêncio da morte que se sentia dona de Sophia, da morte que queria Sophia envolvida em seus braços, levando-a por entre fiapos de um espírito martirizado, como ondas vespertinas debatendo-se contra as rochas e criando espumas, criando fiapos do que fora um dia, um ser místico castigado pelo amor, que, a cada passo, sente-se pisando em em facas, humilhando-se ao amor.

A morte ofereceu uma faca para Sophia, que entregou em suas mãos, uma lâmina tão fria quanto o seu coração aprisionado por si mesma.
- Mate eles, e você não se transformará em brisa. - Disse a morte. - Mate eles e você não sofrerá mais.
Sophia chorou copiosamente, saiu de baixo da cama, nervosa e mais cheia de medo, a luz que se via nas frestas da porta ficou mais forte, ela parecia flutuar, a porta para a saída do sofrimento de Sophia estava ali, pronta para ser aberta.
-Escolha Sophia, a liberdade ou a prisão.


Sophia escolheu a prisão.

Ela não queria o sangue

Ela não queria ser egoísta...

Porém, a janela de seu quarto escancarou-se

E uma luz forte, tão forte, cegou-a...

Era noite,





Mas o sol chegou para lhe salvar.















~



Continua...






~












Andrew Oliveira

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